O Ministério Público do Estado do Amapá (MP-AP) realizou, nesta quarta-feira (17), a ação natalina “A Cor da Vida: para que toda infância seja colorida”, voltada a crianças e adolescentes atendidos pelo Centro de Atendimento às Vítimas “Nós Pertencemos” (CAVINP). A programação aconteceu no Museu Sacaca, em Macapá, e marcou o encerramento das atividades do Centro em 2025.
Cerca de 75 participantes, entre crianças, adolescentes e seus familiares, participaram de uma manhã de atividades lúdicas, culturais e de convivência, incluindo visita guiada ao museu, passeio no barco regatão, oficinas artísticas, contação de histórias, brincadeiras tradicionais e a chegada do Papai Noel, além da entrega de brindes natalinos.
De acordo com a promotora de Justiça e coordenadora do CAVINP, Fábia Regina Martins, a ação foi pensada para colocar o público infantojuvenil no centro das atenções do trabalho desenvolvido pelo Ministério Público no atendimento às vítimas.
“O CAVINP é o centro de atendimento às vítimas do Ministério Público e atua para assegurar os direitos de pessoas que sofreram violações, sejam vítimas diretas ou indiretas de crimes como violência sexual, violência doméstica e crimes dolosos contra a vida. Percebemos que ainda não havíamos realizado uma ação em que o protagonista fosse o nosso público infantojuvenil, e entendemos que o período natalino é muito propício para esse trabalho”, explicou.
Segundo a promotora, o Natal representa um momento de reflexão, esperança e alegria, especialmente para as crianças. “Elas buscam um momento de fantasia, um presente, o Papai Noel. Acreditamos que, oferecendo essa experiência, podemos sonhar junto com elas e ajudar a colorir a vida dessas pessoas”, afirmou.
A escolha do Museu Sacaca também teve um significado especial. “Viemos para cá com o intuito de tirar essas famílias de uma situação de vulnerabilidade e violência e levá-las para um espaço de desenvolvimento sociocultural, de alegria, de paz e amor. Muitas dessas crianças nunca tinham visitado o Museu Sacaca, então esse contato com a cultura, com o verde e com a história da nossa cidade oferece um novo olhar para a vida”, destacou Fábia.
A coordenadora do Museu Sacaca, Alessandra Furtado, ressaltou a importância da parceria com o CAVINP e o papel do espaço como ambiente de acolhimento e memória afetiva. “O CAVINP já se tornou um parceiro do Museu Sacaca. Aqui é um espaço de memória afetiva, um espaço natural e saudável, que promove bem-estar. É uma satisfação receber essas famílias em situação de vulnerabilidade e apresentar toda essa estrutura”, afirmou.
Alessandra reforçou ainda que o Museu Sacaca está aberto a iniciativas semelhantes. “O Museu faz parte do IEPA e trabalha com planejamento e visitas guiadas, com um forte teor educativo. Instituições públicas ou privadas que queiram realizar atividades como essa podem nos procurar. Estamos abertos a toda a população”, completou.
Durante a entrevista, Fábia Regina Martins também destacou os avanços do CAVINP ao longo de 2025. Segundo ela, após um período de redução nos atendimentos devido a pendências de convênio, o serviço foi retomado em agosto, com a contratação de novos profissionais e a ampliação da rede de atendimento.
“Hoje atendemos não apenas Macapá, mas também pessoas de Santana, fortalecendo parcerias com o Tribunal de Justiça, centros de referência e unidades de saúde. Isso amplia a proteção às vítimas”, explicou.
Para 2026, a expectativa é de fortalecimento e expansão das ações. “Mesmo durante o recesso, estaremos trabalhando no planejamento para ampliar a divulgação do CAVINP. Esse serviço salva vidas. Quanto mais pessoas souberem que existimos e que podemos acolher, orientar e encaminhar para a rede de proteção, mais vidas poderão ser transformadas”, enfatizou.
A promotora também ressaltou a importância da participação da família no processo de acolhimento. “Hoje não estão apenas as crianças, mas também os responsáveis. As famílias também sofrem e precisam de cuidado. Acreditamos que uma família acolhida, orientada e fortalecida pode romper o ciclo de vulnerabilidade e transformar realidades”, concluiu.


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