O Quilombo do Curiaú, na zona rural de Macapá, foi palco de uma ação que reuniu cultura, educação ambiental e valorização das tradições quilombolas. O projeto “Sementes da Tradição”, desenvolvido pelo Movimento Cultural Ancestrais em parceria com a Associação Cultural Raimundo Ladislau, mobilizou crianças, adolescentes e moradores da comunidade para atividades ligadas à preservação da floresta e ao fortalecimento das raízes ancestrais.
Realizada no dia 9 de maio, durante a programação do Ciclo do Marabaixo, a iniciativa promoveu o plantio coletivo de aproximadamente 50 mudas de ipês nativos. Em meio ao som das tradicionais caixas de marabaixo, os participantes participaram de um momento simbólico voltado ao cuidado com o território quilombola e à conscientização ambiental.
A atividade também serviu como uma forma de compensação ambiental relacionada à retirada ritualística do mastro utilizado no Marabaixo, prática tradicional mantida há décadas pela comunidade. Segundo os organizadores, a proposta foi equilibrar respeito à tradição cultural e responsabilidade com a natureza.
Idealizadora e coordenadora do projeto, Laura do Marabaixo destacou que a ação busca fortalecer, entre as novas gerações, o entendimento de que preservar o meio ambiente significa também proteger a memória e os costumes do povo quilombola.
Além do plantio, o projeto realizou a retirada responsável de um mastro de árvore inativa, respeitando critérios ambientais e os princípios espirituais do Marabaixo. Para a organização, o ritual representa uma ligação simbólica entre a comunidade, a floresta e os antepassados.
Ao longo do ano, o “Sementes da Tradição” também promove oficinas educativas em escolas e comunidades, abordando preservação ambiental e a valorização das espécies amazônicas. A proposta é fortalecer o diálogo entre educação, sustentabilidade e cultura tradicional.
Com participação ativa de moradores e protagonismo das crianças e adolescentes, a iniciativa reforça o Quilombo do Curiaú como um espaço de resistência cultural e consciência ecológica no Amapá.


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