Uma jovem de 23 anos, presa em maio sob acusação de tráfico de drogas, morreu na última quinta-feira (21) em Macapá, um dia após ter o alvará de soltura expedido pela Justiça. O caso trouxe repercussão e diferentes versões sobre as circunstâncias do falecimento.
O diretor-presidente do Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (IAPEN), delegado Luiz Carlos Gomes, informou que a detenta recebeu acompanhamento médico desde sua entrada no sistema prisional. Ele destacou que o protocolo de avaliação inicial identificou uma condição clínica grave até então desconhecida pela jovem.
“Desde a entrada dela, foram detectadas complicações sérias. Ao longo da custódia, foram realizados cerca de 13 atendimentos médicos, além de exames e encaminhamentos para a UBS do Marabaixo. Quando o quadro se agravou, houve encaminhamento imediato para o Hospital de Emergência, onde foi confirmado também diagnóstico de Covid-19. Infelizmente, mesmo com internação no Hospital Universitário, ela não resistiu”, declarou.
Segundo o gestor, não há indícios de negligência no atendimento.
“Há todo um histórico documentado com relatórios médicos. O IAPEN prestou a assistência necessária. O agravamento do quadro clínico aliado à Covid acelerou a situação. Lamentamos profundamente, mas o acompanhamento foi feito. Uma sindicância será aberta para esclarecer os detalhes”, afirmou.
Família acusa falha no atendimento
O advogado da família, no entanto, questiona a conduta do IAPEN e fala em negligência.
“Foi uma morte brutal. O Instituto tinha pleno conhecimento das comorbidades da minha cliente e, mesmo assim, houve total negligência. Quando cheguei, encontrei a enfermaria fechada e ela já estava em estado crítico. Se não tivesse sido encaminhada ao hospital, provavelmente não teria tido nenhuma chance de atendimento adequado”, disse o defensor.
A defesa ressaltou que a jovem estava presa de forma cautelar, com audiência marcada para setembro, e que a Justiça havia concedido a soltura por razões humanitárias, mas ela faleceu um dia após a decisão. O advogado informou que pretende acionar o Ministério Público e o Judiciário para investigar o sistema prisional.
Enquanto isso, o IAPEN suspendeu temporariamente as visitas na Penitenciária Feminina de Macapá e iniciou testagem em todas as internas após a confirmação de Covid-19. Duas companheiras de cela da jovem testaram positivo e estão em observação, sem risco grave.


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