O Amapá iniciou um importante ciclo de debates sobre o futuro da exploração de petróleo e gás na Margem Equatorial, durante o 1º Fórum Tecnológico do Crea-AP, realizado nesta segunda-feira (23), no SESI Teatro, em Macapá. O evento reuniu profissionais de engenharia, estudantes, representantes de instituições públicas e especialistas de renome nacional para discutir os desafios, oportunidades e impactos ambientais desse novo cenário econômico.
O presidente do Crea-AP, engenheiro civil Amarildo Magalhães, ressaltou que o papel da instituição vai além da fiscalização profissional. Segundo ele, é dever do Conselho fomentar discussões técnicas e aproximar os profissionais locais das novas oportunidades que surgem.
"Além de fiscalizar o exercício profissional, o Crea tem a responsabilidade de trazer conhecimento e criar meios de capacitação como este Fórum. Estamos abordando um tema de extrema relevância, que é a exploração de petróleo e gás na Margem Equatorial. Trouxemos especialistas com experiência histórica no setor, como um profissional que participou do início dessa indústria no Rio de Janeiro. É uma oportunidade ímpar para os engenheiros do Amapá", destacou Amarildo.
Segundo ele, pesquisas recentes apontam o Amapá como um dos estados com maior expectativa de crescimento em empregabilidade no setor de engenharia:
"Recebemos recentemente o resultado de uma ampla pesquisa do Sistema Confea/Crea, onde o Amapá desponta nacionalmente na perspectiva de geração de renda e oportunidades profissionais. Isso é um sinal muito positivo para os nossos engenheiros e para a economia local", completou.
Amarildo também enfatizou a importância da qualificação técnica:
"As engenharias já possuem uma base de conhecimento sólida nas diversas áreas como civil, mecânica, elétrica, geologia, petróleo e minas. Mas sabemos que a demanda por profissionais especializados vai aumentar, e por isso estamos buscando parcerias com instituições de ensino para promover cursos e capacitações. O Fórum é apenas o começo. Nossa intenção é criar uma série de outros eventos que aprofundem ainda mais essas discussões", disse o presidente do Crea-AP.
Outro destaque da programação foi a palestra do vice-governador do Amapá, Antônio Teles Júnior, que abordou as "Perspectivas, desafios e oportunidades do setor de petróleo e gás no Amapá". Em sua fala, ele destacou o papel estratégico do estado na nova rota energética do país.
"Estamos diante de um momento histórico. A Margem Equatorial representa uma grande possibilidade de desenvolvimento econômico para o Amapá. Nosso governo tem trabalhado para criar um ambiente favorável a novos investimentos, mas com responsabilidade socioambiental e diálogo permanente com a sociedade. Este Fórum é o exemplo claro de como podemos construir esse futuro de forma planejada e sustentável", afirmou o vice-governador.
Outro destaque da programação foi a palestra do geólogo e professor da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), Marcelo José de Oliveira, que trouxe uma análise técnica e ambiental sobre a exploração de petróleo em águas profundas.
"A proposta da minha palestra é apresentar o panorama técnico da exploração petrolífera, discutir os aspectos ambientais e detalhar como está o processo de licenciamento para a Bacia da Foz do Amazonas. O Amapá está muito próximo de receber a Licença de Operação (LO), estamos na fase final de avaliação pré-operacional", explicou o professor.
Marcelo também fez um alerta sobre a necessidade de preparação para o que pode estar por vir:
"O cenário é muito promissor, mas exige que o estado, as instituições e os profissionais estejam preparados para atender às futuras demandas. O que temos visto na Guiana, por exemplo, é um grande volume de investimentos e geração de empregos. Se o Amapá seguir pelo mesmo caminho, será fundamental que toda a cadeia produtiva esteja pronta para receber esses investimentos".
O Fórum encerrou com a leitura de uma Carta de Intenções, que reúne as principais propostas discutidas durante o evento. A iniciativa reforça o protagonismo da engenharia amapaense no debate sobre o desenvolvimento sustentável e a geração de oportunidades a partir do setor de óleo e gás.
