A investigação que resultou na Operação Trono de Ferro, deflagrada nesta quinta-feira (19), revelou a existência de uma complexa rede criminosa dedicada à extração ilegal e comercialização clandestina de cassiterita. Segundo o delegado Kalil Henrique, responsável pelo caso, o esquema contava com uma estrutura organizada que envolvia desde a retirada do minério até sua inserção fraudulenta no mercado formal.
De acordo com o investigador, o trabalho teve forte apoio da Receita Federal do Brasil, que ajudou a rastrear empresas, movimentações financeiras e pessoas ligadas ao grupo criminoso.
Conforme explicou o delegado, a apuração começou a partir do cruzamento de dados fiscais e financeiros, que permitiu identificar os responsáveis pela cadeia ilegal.
“A Receita Federal foi fundamental para identificar empresas, pessoas físicas e laranjas envolvidos em toda essa trama criminosa”, destacou.
Além disso, análises de equipamentos apreendidos em ações nos garimpos e rastreamento financeiro ajudaram a conectar os diversos integrantes da organização, incluindo extratores, transportadores, intermediários e comerciantes do minério.
Um dos principais mecanismos do esquema era o uso de empresas de fachada e notas fiscais falsas para dar aparência legal à cassiterita.
Segundo o delegado, havia dois tipos principais de empresas:
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Empresas fantasmas: criadas apenas para emitir notas fiscais falsas durante o transporte do minério ilegal.
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Empresas reais: simulavam serviços de beneficiamento para dar uma “segunda camada” de legalidade ao produto.
Na prática, essas empresas recebiam pagamentos e emitiam documentos, mas não realizavam nenhum processamento real do minério.
As investigações apontam que cerca de 760 toneladas de cassiterita foram “esquentadas” pelo esquema.
O delegado explicou que o preço médio do minério no Brasil gira em torno de R$ 130 por quilo, variando conforme a pureza. Somando o valor do minério e os recursos movimentados na lavagem de dinheiro, o montante investigado chega a aproximadamente R$ 405 milhões.
A apuração também confirmou que parte da cassiterita vinha de fora do país, principalmente da Venezuela, sendo internalizada ilegalmente.
Outra prática comum era declarar que o minério havia sido retirado de áreas autorizadas por permissões de lavra garimpeira (PLGs), mesmo quando essas áreas estavam intactas e sem exploração real.
O delegado reconheceu que o garimpo ilegal tem crescido nos últimos anos no estado, em razão das dificuldades de acesso às áreas de exploração.
Segundo ele, operações como a Trono de Ferro são essenciais para atingir a estrutura financeira das organizações criminosas e reduzir sua capacidade de atuação.
Até o momento:
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4 pessoas foram presas
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5 investigados seguem foragidos
Uma prisão ocorreu no Amapá, onde o detido seria um dos principais responsáveis pela extração ilegal. As demais ocorreram em outros estados, envolvendo suspeitos ligados à logística e “esquentamento” do minério.
A Polícia Federal ainda analisa o material apreendido e não descarta novas fases da operação.
A orientação das autoridades é que denúncias sobre garimpos ilegais sejam acompanhadas de:
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fotos
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geolocalização
Essas informações ajudam a confirmar rapidamente a existência da atividade clandestina e permitem ações mais eficazes.


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