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Domingo, 19 de Abril de 2026
Operação Trono de Ferro: investigação revela como funcionava rede milionária do garimpo ilegal

Policial

Operação Trono de Ferro: investigação revela como funcionava rede milionária do garimpo ilegal

Delegado Kalil Henrique detalha atuação de empresas de fachada, lavagem de dinheiro e apoio da Receita Federal na apuração

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A investigação que resultou na Operação Trono de Ferro, deflagrada nesta quinta-feira (19), revelou a existência de uma complexa rede criminosa dedicada à extração ilegal e comercialização clandestina de cassiterita. Segundo o delegado Kalil Henrique, responsável pelo caso, o esquema contava com uma estrutura organizada que envolvia desde a retirada do minério até sua inserção fraudulenta no mercado formal.

De acordo com o investigador, o trabalho teve forte apoio da Receita Federal do Brasil, que ajudou a rastrear empresas, movimentações financeiras e pessoas ligadas ao grupo criminoso.

Conforme explicou o delegado, a apuração começou a partir do cruzamento de dados fiscais e financeiros, que permitiu identificar os responsáveis pela cadeia ilegal.

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“A Receita Federal foi fundamental para identificar empresas, pessoas físicas e laranjas envolvidos em toda essa trama criminosa”, destacou.

Além disso, análises de equipamentos apreendidos em ações nos garimpos e rastreamento financeiro ajudaram a conectar os diversos integrantes da organização, incluindo extratores, transportadores, intermediários e comerciantes do minério.

Um dos principais mecanismos do esquema era o uso de empresas de fachada e notas fiscais falsas para dar aparência legal à cassiterita.

Segundo o delegado, havia dois tipos principais de empresas:

  • Empresas fantasmas: criadas apenas para emitir notas fiscais falsas durante o transporte do minério ilegal.

  • Empresas reais: simulavam serviços de beneficiamento para dar uma “segunda camada” de legalidade ao produto.

Na prática, essas empresas recebiam pagamentos e emitiam documentos, mas não realizavam nenhum processamento real do minério.

As investigações apontam que cerca de 760 toneladas de cassiterita foram “esquentadas” pelo esquema.

O delegado explicou que o preço médio do minério no Brasil gira em torno de R$ 130 por quilo, variando conforme a pureza. Somando o valor do minério e os recursos movimentados na lavagem de dinheiro, o montante investigado chega a aproximadamente R$ 405 milhões.

A apuração também confirmou que parte da cassiterita vinha de fora do país, principalmente da Venezuela, sendo internalizada ilegalmente.

Outra prática comum era declarar que o minério havia sido retirado de áreas autorizadas por permissões de lavra garimpeira (PLGs), mesmo quando essas áreas estavam intactas e sem exploração real.

O delegado reconheceu que o garimpo ilegal tem crescido nos últimos anos no estado, em razão das dificuldades de acesso às áreas de exploração.

Segundo ele, operações como a Trono de Ferro são essenciais para atingir a estrutura financeira das organizações criminosas e reduzir sua capacidade de atuação.

Até o momento:

  • 4 pessoas foram presas

  • 5 investigados seguem foragidos

Uma prisão ocorreu no Amapá, onde o detido seria um dos principais responsáveis pela extração ilegal. As demais ocorreram em outros estados, envolvendo suspeitos ligados à logística e “esquentamento” do minério.

A Polícia Federal ainda analisa o material apreendido e não descarta novas fases da operação.

A orientação das autoridades é que denúncias sobre garimpos ilegais sejam acompanhadas de:

  • fotos

  • geolocalização

Essas informações ajudam a confirmar rapidamente a existência da atividade clandestina e permitem ações mais eficazes.

 

FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Delegado Kalil Henrique, responsável pela investigação. Foto: Eric Queiroz
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Eric Queiroz

Publicado por:

Eric Queiroz

Eric Queiroz, nascido em Caiena (1991), é jornalista com 15 anos de carreira, destacando-se no jornalismo policial, atualmente é repórter/diretor do programa "Bronca Pesada" (TV Cidade). Também atua no rádio e escreve colunas online.

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