As fortes chuvas que atingiram Santana nos últimos dias deixaram um rastro de destruição e indignação, especialmente no bairro Hospitalidade. Ruas completamente tomadas pela água e casas invadidas transformaram a rotina dos moradores em um cenário de desespero, com perdas significativas de móveis e eletrodomésticos.
O problema, no entanto, vai além do volume de chuva. Moradores denunciam que a precariedade da drenagem urbana e a falta de manutenção adequada de canais agravam a situação, algo que, segundo eles, poderia ser evitado com ações preventivas do poder público.
A revolta aumentou diante da ausência de representantes políticos. Dos 15 vereadores do município, apenas três estiveram no local para acompanhar a situação: Bruno Rocha, Socorro Nogueira e Nildo Rodrigues. A presença limitada gerou críticas e sensação de abandono por parte da população.
Durante visita à área afetada, o vereador Bruno Rocha afirmou que esteve no local para ouvir a comunidade e levar as demandas ao Executivo.
“Viemos entender de fato o que está acontecendo e levar a reivindicação de vocês. Nosso papel é fiscalizar e ser a voz da população. Já estamos dialogando com representantes do Governo do Estado para tentar ajudar a suprir essa necessidade”, declarou.
Já a vereadora Socorro Nogueira cobrou medidas emergenciais e imediatas para amenizar o sofrimento das famílias.
“A gente pede que o prefeito acione a Defesa Civil para vir aqui. As pessoas estão ilhadas, sem conseguir sair de casa. Às vezes, uma ação simples, como abrir o córrego para escoar a água, já ajudaria bastante”, destacou.
Morador antigo do bairro, Márcio Barreto fez um desabafo contundente sobre o que classificou como descaso das autoridades.
“É uma situação muito complicada. Temos 15 vereadores, mas só três vieram aqui. O prefeito e o governador ainda não apareceram para dar uma resposta. Moro aqui há mais de 30 anos e nunca vi algo assim. Essa situação piorou depois de uma obra que não foi concluída na Maria Colares”, afirmou.
Além do bairro Hospitalidade, outros pontos de Santana também registraram alagamentos, ampliando o sentimento de revolta entre os moradores. No sábado à noite, a insatisfação se transformou em protesto: moradores interditaram a Avenida Maria Colares, queimando pneus e galhos para chamar atenção das autoridades e exigir respostas concretas.
Moradores do bairro Hospitalidade bloquearam a Avenida Maria Colares com queima de pneus e galhos em protesto, cobrando respostas e soluções diante da falta de ações das autoridades.
Outro ponto duramente criticado pela população é a coleta de lixo, considerada precária. Segundo relatos, o acúmulo de resíduos contribui diretamente para o entupimento de bueiros e canais, agravando ainda mais os alagamentos. A falta de um serviço eficiente de limpeza urbana escancara falhas na gestão municipal e reforça o sentimento de abandono.
Enquanto isso, famílias seguem ilhadas, contabilizando prejuízos e esperando por ações que, para muitos, já deveriam ter sido realizadas há muito tempo.


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