O Amapá avança em uma nova etapa do setor energético com a implantação de uma usina movida a gás natural em Santana, empreendimento ligado à empresa turca Karpowership, que deverá integrar o sistema nacional de reserva de capacidade energética e abrir novas perspectivas para a economia local.
Segundo o secretário de Estado de Mineração, Mamede Barbosa, o projeto vai além do abastecimento regional e terá importância estratégica para o sistema interligado brasileiro. A empresa venceu um leilão nacional voltado à reserva de capacidade energética e terá prazo de até dois anos para implantar a estrutura no município.
“O empreendimento vai garantir segurança energética não apenas para o Amapá, mas para todo o sistema brasileiro interligado. É uma usina movida a gás natural, diferente do GLP utilizado em residências, e que vai permitir ao estado entrar em um novo cenário energético”, explicou o secretário.
Mamede Barbosa destacou que, embora o Brasil seja produtor de gás natural, parte do combustível ainda precisa ser importada devido à limitação de infraestrutura para processamento e distribuição interna. A instalação da usina em Santana deverá criar uma base logística para recepção e utilização do produto no estado.
Além da geração de energia, o secretário afirmou que o gás poderá futuramente atender diversos setores produtivos, como indústrias, caldeiras industriais e sistemas de incineração de resíduos hospitalares.
“O gás precisa de um grande consumidor para viabilizar toda a estrutura logística. Com a chegada da usina, o Amapá terá condições de ampliar o uso do combustível em diferentes atividades econômicas”, ressaltou.
Outro ponto destacado pelo titular da Secretaria de Estado de Mineração (Semin) é o potencial de crescimento ligado à exploração de petróleo na costa amapaense. Segundo ele, caso a produção no litoral do estado avance nos próximos anos, o Amapá poderá desenvolver estruturas de liquefação e até exportação de gás natural para outras regiões do país.
Na avaliação do secretário, o projeto também representa oportunidade de geração de empregos e fortalecimento do parque industrial local.
“Teremos empregos diretos e indiretos, além de todo um ecossistema ligado à indústria do gás. Isso envolve operação da usina, terminal marítimo para recepção e estocagem do combustível, além de novos serviços e investimentos”, afirmou.
Mamede Barbosa também reforçou que a presença de uma usina local poderá reduzir riscos de apagões futuros, funcionando como reserva energética em momentos de instabilidade no sistema nacional.
“Quando há uma queda geral no sistema, uma estrutura local ajuda a mitigar esses impactos. Essa usina funcionará como reserva técnica de capacidade para o Brasil”, explicou.
Dentro da estratégia estadual para a transição energética, o secretário destacou ainda o papel da Gasap, empresa criada pelo Governo do Amapá em 2002 e que agora passa a atuar como Amapá Óleo e Gás.
“O estado se antecipou às demandas futuras. Com o avanço do setor, teremos viabilidade econômica para ampliar operações não apenas no consumo interno, mas também pensando em exportação”, disse.
O secretário também apontou possibilidades de utilização do gás natural em outros segmentos, como transporte urbano, navegação e indústria cerâmica, ressaltando que o combustível apresenta menor índice de poluição e melhor eficiência de queima.
“O gás natural é hoje um dos combustíveis fósseis mais limpos. Ele pode contribuir para melhorar a qualidade do ar e reduzir custos em diversos setores produtivos”, concluiu.


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