O Amapá entrou de vez no radar nacional do setor de petróleo e gás. Cerca de 30 empresários ligados à cadeia produtiva do segmento, integrantes da missão da Rede Petro Bacia de Campos, cumprem agenda em Macapá entre os dias 3 e 5 de março para prospectar oportunidades na Margem Equatorial, considerada uma das novas fronteiras energéticas do Brasil.
A programação acontece na Sala de Conhecimento do Sebrae Amapá, com seminários institucionais, apresentações técnicas, visitas ao Porto de Santana e ao Aeroporto Internacional de Macapá, além de rodadas de negócios com empresários amapaenses. A iniciativa conta com articulação do Sebrae Rio de Janeiro e apoio do Governo do Estado, por meio da Agência de Desenvolvimento Econômico do Amapá.
Integração para fortalecer o mercado local
Para o vice-governador do Amapá, Teles Júnior, a presença da comitiva representa uma das ações mais estratégicas do governo neste novo momento econômico.
Segundo ele, o objetivo é preparar o estado para que os impactos positivos do setor sejam aproveitados internamente. “Para potencializar os efeitos do óleo e gás no Amapá, precisamos qualificar nossa mão de obra, fortalecer as empresas locais e integrar investidores de fora com os empresários daqui”, destacou.
Teles Júnior reforçou que o estado busca um modelo diferente do que ocorreu em outros momentos da história da Amazônia, quando os investimentos vinham de fora sem deixar encadeamento produtivo local. “Estamos integrando o nosso mercado aos novos mercados que estão chegando. Queremos que as oportunidades fiquem aqui, gerem emprego, renda e diversificação econômica”, afirmou.
O vice-governador também ressaltou que, após a mobilização política em defesa da Margem Equatorial, o foco agora é estruturar o ambiente de negócios e preparar trabalhadores e empreendedores para participarem do ciclo que pode se consolidar nos próximos anos.
Ambiente seguro para investir
A diretora-superintendente do Sebrae Amapá, Alcilene Cavalcante, explicou que a instituição se antecipou ao novo cenário e criou uma unidade específica de petróleo e energia.
Durante a programação, os empresários recebem informações detalhadas sobre legislação ambiental, panorama econômico, procedimentos de abertura de empresas, junta comercial, estrutura tributária e logística. “Eles estão tendo acesso a informações seguras e qualificadas, com apoio do Governo do Estado e dos órgãos competentes, para que possam decidir com segurança onde e como investir”, ressaltou.
Além do conteúdo técnico, a agenda inclui visitas às principais estruturas logísticas do estado, permitindo que os investidores conheçam de perto a capacidade operacional do Amapá.
Experiência do Rio encontra potencial do Norte
Representando o Sebrae Rio de Janeiro, a coordenadora de Energias, Danielle Rodrigues, destacou que o Rio concentra cerca de 80% da produção nacional de petróleo e gás e acumula décadas de experiência no setor.
Segundo ela, a missão busca unir essa expertise ao potencial da Margem Equatorial. “Estamos promovendo uma troca de experiências. O Amapá vive um momento inicial, e esse é o momento certo para se estruturar, buscar qualificação e atender às exigências de um mercado que é global”, explicou.
Danielle também ressaltou que o desenvolvimento do setor é um processo de longo prazo. Entre a exploração e a produção em escala comercial, o prazo pode variar entre oito e dez anos, período em que a estruturação de fornecedores e serviços locais será decisiva.
Olhar empresarial sobre o Amapá
Coordenador da missão e CEO da Teknofil, Marcello Santos avalia que o Amapá vive hoje um estágio semelhante ao que Macaé enfrentava no início da exploração petrolífera, há cerca de cinco décadas.
À frente da Teknofil, empresa especializada em sistemas de filtração para ar, combustível, lubrificantes e aplicações industriais, ele afirma que o momento é de construção de parcerias.
“O cenário ainda é embrionário, mas o potencial geológico da Margem Equatorial é enorme. A experiência da Guiana e do Suriname mostra o tamanho das reservas que podem ser encontradas aqui”, observou.
Para o empresário, o desenvolvimento do setor deve impulsionar não apenas a indústria, mas também áreas como hotelaria, serviços, saúde e qualificação profissional. “É um ciclo que puxa toda a economia. Por isso, é fundamental que o estado esteja preparado desde já”, concluiu.
Ao longo de três dias, empresários do Rio de Janeiro, Macaé, Rio das Ostras e outros polos do setor interagem com representantes de Macapá, Oiapoque e demais municípios, fortalecendo conexões e abrindo caminho para futuras parcerias que podem marcar um novo capítulo no desenvolvimento econômico do Amapá.
