As juízas Larissa Antunes e Carline Nunes, do Tribunal de Justiça do Estado do Amapá, apresentaram nesta segunda-feira (23) o livro “Olhares de Antígona: um relato de experiência de Santana – a comarca mais feminina do Amapá e o fortalecimento das alianças internas por intermédio das práticas restaurativas”.
A entrega simbólica foi realizada no gabinete da Presidência do Judiciário amapaense ao desembargador Jayme Ferreira, marcando a divulgação oficial da obra, que reúne artigos jurídicos e reflexões sobre práticas restaurativas e protagonismo feminino na magistratura.
Também participa do livro a juíza Maria de Lourdes Araújo, que já atuou no Amapá e atualmente integra o Judiciário do Paraná.
Durante o encontro a juíza Larissa Antunes ressaltou que a participação no livro surgiu a partir de uma articulação com magistradas do Paraná ligadas ao coletivo Antígona.
Ela explicou que o convite partiu justamente da experiência singular vivida em Santana, onde a maioria das unidades judiciais é ocupada por mulheres.
“A gente sempre destacou que Santana é a comarca mais feminina do estado. Foi muito importante poder registrar essa trajetória e mostrar como o olhar feminino no exercício da magistratura pode contribuir para a evolução do direito”, afirmou.
A magistrada ressaltou que o artigo retrata a aplicação prática da Justiça Restaurativa e sua influência no ambiente institucional e na prestação jurisdicional.
Já a juíza Carline Nunes destacou que a obra busca transmitir a importância do trabalho em equipe e da participação interinstitucional.
“A principal mensagem é a força do coletivo. As práticas restaurativas envolvem inclusão, diálogo e parceria entre Judiciário, Ministério Público, governos e sociedade. Esse é o diferencial dos projetos desenvolvidos em Santana”, explicou.
Ela também destacou que a metodologia fortalece a resolução de conflitos, melhora relações institucionais e amplia a eficiência da gestão judiciária.
O presidente do TJAP, Jayme Ferreira, avaliou o lançamento como um momento simbólico para a valorização da magistratura feminina e da produção acadêmica no Judiciário.
“É uma honra receber as autoras. Esse livro representa não apenas a experiência delas, mas a força das mulheres magistradas, mães e agora também escritoras, que levam a vivência do trabalho para o meio acadêmico em benefício da sociedade”, afirmou.
Ele destacou ainda que a Comarca de Santana se tornou referência administrativa.
“É uma comarca exemplar, com forte presença feminina e poucos problemas administrativos. A criatividade e a capacidade de organização dessas magistradas fazem diferença”, acrescentou.
Para o desembargador, a obra também cumpre papel estratégico ao divulgar iniciativas do Judiciário.
“Esse trabalho mostra o quanto as mulheres do sistema de justiça são capazes de unir conhecimento e prática, contribuindo para a evolução institucional.”
O livro apresenta análises sobre a implementação das práticas restaurativas no Judiciário amapaense, abordagem reconhecida nacionalmente como política judiciária pelo Conselho Nacional de Justiça.
Inspirada em tradições comunitárias de diálogo e escuta ativa, a metodologia busca ampliar a resolução de conflitos para além do caráter punitivo, priorizando reparação de danos, corresponsabilidade e fortalecimento das relações humanas.
Na Comarca de Santana, a pesquisa demonstrou impactos positivos, como melhoria do clima organizacional, fortalecimento institucional e avanço na construção de políticas voltadas à pacificação social.


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