Uma ameaça silenciosa tem causado preocupação no campo e nas instituições públicas do Amapá: a praga vassoura-de-bruxa-da-mandioca, doença fúngica que afeta diretamente a produção da raiz e que já se espalhou por seis municípios amapaenses. Para debater riscos e traçar estratégias de enfrentamento, o Ministério Público do Estado promoveu uma audiência pública nesta segunda-feira, 19, no auditório do Complexo Cidadão da Zona Norte, em Macapá.
O promotor Marcelo Moreira, da Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente, alertou para a gravidade do cenário:
“Estamos diante de uma doença de plantas inédita no Brasil, reconhecida apenas no ano passado, mas que tem uma capacidade de contaminação muito eficiente. Ela já atinge 6 dos 16 municípios do estado e pode ser catastrófica para a nossa cultura e economia se não agirmos agora.”
Segundo ele, a doença, que chegou ao Brasil pela Guiana Francesa e se espalhou pelo Amapá, é capaz de dizimar totalmente a produção de mandioca, atingindo inclusive áreas indígenas e comunidades rurais.
“Já temos perdas de até 25% na produção de farinha. Se essa doença avançar, perderemos não só a mandioca, mas o tucupi, a farinha e a base da alimentação tradicional amazônica”, completou.
A secretária de Desenvolvimento Rural do Estado, Beatriz Barros, destacou que o governo estadual tem tratado o problema com máxima prioridade.
“Assumimos a gestão com o segundo decreto emergencial em vigor. Já construímos um plano de ação em conjunto com o Rurap, a Diagro, a Embrapa e órgãos federais. Visitamos os ministérios em Brasília para buscar apoio técnico e financeiro e já garantimos recursos para pesquisa em laboratório especializado da Embrapa em Cruz das Almas.”
Beatriz também enfatizou a preocupação com os impactos sociais causados pela praga:
“O agricultor perdeu sua renda e precisa de alternativas. Por isso, o governador Clécio autorizou a aquisição de sementes de hortaliças e frutas de ciclo curto, como melancia e maracujá, além do crédito rural emergencial. Estamos atuando com assistência técnica e barreiras sanitárias para evitar que a doença chegue a regiões estratégicas, como o Pacuí, maior produtor de farinha do Amapá.”
A chefe de pesquisa da Embrapa no estado, Cristiane Ramos de Jesus, explicou como o fungo se propaga:
“Ele produz esporos invisíveis, que podem se fixar na roupa, carros e ferramentas. A dispersão é muito rápida. Por isso, pedimos à população que evite circular em áreas afetadas, troque de roupa após visitar uma roça contaminada e não compartilhe ferramentas.”
Chefe de pesquisa da Embrapa, Cristiane Ramos, alertou sobre o alto poder de dispersão do fungo causador da praga.
Cristiane reforçou que a Embrapa está conduzindo estudos em busca de cultivares resistentes e testando fungicidas.
“Estamos em uma corrida contra o tempo para conter uma praga que já dizimou várias plantações. Cada um pode colaborar, evitando levar os esporos para áreas ainda sadias”, disse.
A audiência pública serviu como um ponto de articulação para integrar ações entre órgãos municipais, estaduais e federais. O Ministério Público reforçou seu papel de fomentar políticas públicas coordenadas e eficazes para enfrentar o problema antes que ele se torne irreversível.


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