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Sexta-feira, 06 de Marco de 2026
Amapá une forças para conter praga que ameaça produção de mandioca e a cultura alimentar amazônica

Agro

Amapá une forças para conter praga que ameaça produção de mandioca e a cultura alimentar amazônica

Audiência pública reúne autoridades e especialistas para tratar da vassoura-de-bruxa-da-mandioca, praga que já atinge seis municípios e coloca em risco a produção de farinha no estado.

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Uma ameaça silenciosa tem causado preocupação no campo e nas instituições públicas do Amapá: a praga vassoura-de-bruxa-da-mandioca, doença fúngica que afeta diretamente a produção da raiz e que já se espalhou por seis municípios amapaenses. Para debater riscos e traçar estratégias de enfrentamento, o Ministério Público do Estado promoveu uma audiência pública nesta segunda-feira, 19, no auditório do Complexo Cidadão da Zona Norte, em Macapá.

Representantes de instituições estaduais, federais e agricultores participaram do debate sobre medidas de contenção.

 

 

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Audiência pública buscou soluções para preservar a produção de farinha e a cultura alimentar no estado.

 

O promotor Marcelo Moreira, da Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente, alertou para a gravidade do cenário:

“Estamos diante de uma doença de plantas inédita no Brasil, reconhecida apenas no ano passado, mas que tem uma capacidade de contaminação muito eficiente. Ela já atinge 6 dos 16 municípios do estado e pode ser catastrófica para a nossa cultura e economia se não agirmos agora.”

Promotor Marcelo Moreira destacou a gravidade da praga e a importância de uma ação conjunta para conter o avanço.

 

Segundo ele, a doença, que chegou ao Brasil pela Guiana Francesa e se espalhou pelo Amapá, é capaz de dizimar totalmente a produção de mandioca, atingindo inclusive áreas indígenas e comunidades rurais.

“Já temos perdas de até 25% na produção de farinha. Se essa doença avançar, perderemos não só a mandioca, mas o tucupi, a farinha e a base da alimentação tradicional amazônica”, completou.

A secretária de Desenvolvimento Rural do Estado, Beatriz Barros, destacou que o governo estadual tem tratado o problema com máxima prioridade.

“Assumimos a gestão com o segundo decreto emergencial em vigor. Já construímos um plano de ação em conjunto com o Rurap, a Diagro, a Embrapa e órgãos federais. Visitamos os ministérios em Brasília para buscar apoio técnico e financeiro e já garantimos recursos para pesquisa em laboratório especializado da Embrapa em Cruz das Almas.”

Secretária Beatriz Barros explicou as ações emergenciais adotadas pelo Governo do Amapá para ajudar os agricultores afetados.

 

Beatriz também enfatizou a preocupação com os impactos sociais causados pela praga:

“O agricultor perdeu sua renda e precisa de alternativas. Por isso, o governador Clécio autorizou a aquisição de sementes de hortaliças e frutas de ciclo curto, como melancia e maracujá, além do crédito rural emergencial. Estamos atuando com assistência técnica e barreiras sanitárias para evitar que a doença chegue a regiões estratégicas, como o Pacuí, maior produtor de farinha do Amapá.”

A chefe de pesquisa da Embrapa no estado, Cristiane Ramos de Jesus, explicou como o fungo se propaga:

“Ele produz esporos invisíveis, que podem se fixar na roupa, carros e ferramentas. A dispersão é muito rápida. Por isso, pedimos à população que evite circular em áreas afetadas, troque de roupa após visitar uma roça contaminada e não compartilhe ferramentas.”

Chefe de pesquisa da Embrapa, Cristiane Ramos, alertou sobre o alto poder de dispersão do fungo causador da praga.

Cristiane reforçou que a Embrapa está conduzindo estudos em busca de cultivares resistentes e testando fungicidas.

“Estamos em uma corrida contra o tempo para conter uma praga que já dizimou várias plantações. Cada um pode colaborar, evitando levar os esporos para áreas ainda sadias”, disse.

Participantes reforçaram a necessidade de conscientização para evitar o transporte da praga entre áreas agrícolas.

 

A audiência pública serviu como um ponto de articulação para integrar ações entre órgãos municipais, estaduais e federais. O Ministério Público reforçou seu papel de fomentar políticas públicas coordenadas e eficazes para enfrentar o problema antes que ele se torne irreversível.

FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Fotos: Eric Queiroz
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Eric Queiroz

Eric Queiroz, nascido em Caiena (1991), é jornalista com 15 anos de carreira, destacando-se no jornalismo policial, atualmente é repórter/diretor do programa "Bronca Pesada" (TV Cidade). Também atua no rádio e escreve colunas online.

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