O prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD), renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5), após se tornar alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga suspeitas de fraudes em licitações relacionadas à área da saúde no município.
A renúncia foi formalizada por meio de um ofício encaminhado à Câmara Municipal. No documento, Furlan afirma que a decisão está ligada ao “anseio público” para que ele dispute o Governo do Amapá nas eleições de 2026, o que exige sua saída do cargo conforme a legislação eleitoral.


A saída ocorre um dia depois de o ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, determinar o afastamento de Furlan, do vice-prefeito Mário Neto (Podemos) e da secretária municipal de Saúde, Érica Imore, no âmbito da segunda fase da Operação Paroxismo, deflagrada pela Polícia Federal.
Operação Paroxismo
Na manhã da operação, policiais federais chegaram ainda de madrugada à residência do prefeito em Macapá para cumprir mandado de busca e apreensão. A investigação apura possíveis fraudes na execução das obras do Hospital Geral Municipal, empreendimento orçado em cerca de R$ 70 milhões e financiado com recursos de emendas parlamentares.
Segundo as investigações, há indícios da existência de um esquema criminoso envolvendo agentes públicos e empresários, voltado ao direcionamento de licitação, ao desvio de recursos públicos e à lavagem de dinheiro no projeto de engenharia e na execução das obras da unidade hospitalar.

A Polícia Federal também aponta movimentações financeiras consideradas atípicas após repasses do município à empresa responsável pela obra, a Santa Rita Engenharia. Um dos sócios da empresa, Rodrigo de Queiroz Moreira, foi novamente alvo da operação e já havia sido preso na primeira fase da investigação, em setembro do ano passado.
Vídeos que fazem parte do inquérito mostram Rodrigo Moreira entrando em uma agência bancária e recebendo vários maços de dinheiro de um atendente. As imagens mostram o empresário e outro homem deixando o local com cerca de R$ 850 mil em duas mochilas, valores que passaram a integrar o conjunto de provas analisadas pela Polícia Federal.
Decisão do STF
Ao autorizar o afastamento das autoridades municipais, o ministro Flávio Dino destacou que a permanência dos investigados nos cargos poderia comprometer as investigações, já que teriam acesso a documentos e sistemas da administração pública que poderiam ser manipulados ou ocultados.
A decisão também determinou a realização de mandados de busca e apreensão e outras medidas investigativas em cidades como Macapá, Belém e Natal.
Com a renúncia de Dr. Furlan e o afastamento do vice-prefeito, o presidente da Câmara Municipal de Macapá, Pedro DaLua, assumiu interinamente a Prefeitura de Macapá. A posse ocorreu na tarde de ontem, no Palácio Laurindo Banha, sede do Poder Executivo municipal.


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