O Amapá abriu, nesta segunda-feira (23), a 28ª edição do Fórum Amapaense de Mudanças Climáticas e Serviços Ambientais, que acontece no Museu Sacaca, em Macapá. O evento é promovido pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Meio Ambiente (Sema), e reúne representantes de instituições públicas, movimentos sociais, povos indígenas, quilombolas, extrativistas e comunidades ribeirinhas.
O tema deste ano é “Amapá e o Mercado de Carbono: Construindo Soluções para a Realidade Amapaense”, com foco em esclarecer dúvidas e capacitar diferentes públicos sobre o funcionamento do mercado de carbono e os instrumentos de pagamento por serviços ambientais.
Durante a abertura, o diretor de Desenvolvimento Ambiental da Sema, Marcos Almeida, destacou que o fórum é um espaço de construção democrática, onde todos os segmentos da sociedade têm voz.
“O Fórum é um espaço de diálogo democrático. Temos aqui povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, representantes do Estado, das prefeituras e de ONGs parceiras. Estamos debatendo o posicionamento do Amapá no mercado de carbono, apresentando as políticas públicas já em andamento e as que ainda estão em fase de elaboração. Nosso objetivo é construir essas soluções de forma participativa, esclarecer o que é crédito de carbono, e trabalhar para que o estado seja reconhecido pelo seu papel de conservação das florestas”, explicou Marcos.
O diretor também ressaltou que o Amapá tem um grande potencial na remoção de carbono, devido à sua extensa cobertura florestal.
“O Amapá é um estado de muitas florestas e com baixa taxa de desmatamento. Isso nos dá um papel estratégico na captura de CO₂ da atmosfera. Estamos buscando recursos que ajudem a manter nossa floresta em pé e garantir benefícios que cheguem diretamente nas comunidades tradicionais, nos agricultores, nos ribeirinhos. Um exemplo disso é o programa Floresta+ Amazônia, que, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, vai repassar mais de R$ 2 milhões para produtores rurais que preservam suas áreas de floresta,” acrescentou.
Segundo Marcos Almeida, o Estado também busca negociar parte do seu estoque de carbono, tanto no setor privado quanto no jurisdicional, o que pode gerar novas fontes de receita
Outro destaque do fórum foi a participação de Mariana Nardi, coordenadora-geral de Instrumentos Econômicos para o Controle do Desmatamento do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Ela reforçou a importância da articulação entre os governos federal e estadual para fortalecer as ações de combate às mudanças climáticas.
“Esse diálogo com os estados é essencial. As políticas públicas acontecem nos territórios e o Amapá tem se destacado por esse processo de diálogo com a sociedade. O Ministério traz programas como o Floresta+ Amazônia para apoiar as populações tradicionais e agricultores familiares. Em um ano de COP no Brasil e com o olhar internacional voltado para a Amazônia, é uma grande oportunidade de fortalecer essas parcerias,” afirmou Mariana.
A programação do fórum segue até terça-feira (24), com debates sobre a agenda estadual do clima, estratégias de enfrentamento ao desmatamento e a ampliação de políticas de bioeconomia e negócios verdes.


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