O Governo do Amapá e o Ministério da Justiça divulgaram, nesta segunda-feira (24), o balanço da 7ª fase da Operação 'Mute', ação nacional que busca eliminar a comunicação ilícita dentro do sistema prisional. A iniciativa tem como objetivo impedir que detentos utilizem celulares para coordenar atividades criminosas, contribuindo para a redução da violência no estado.
Coordenada pela Secretaria Nacional de Políticas Penitenciárias (Senappen), a operação foi realizada simultaneamente nos 26 estados brasileiros e, no Amapá, ocorreu entre os dias 17, 19, 20 e 21 de março. A ação foi conduzida pelo Instituto de Administração Penitenciária (Iapen), por meio da Gerência de Inteligência da Polícia Penal, com apoio da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais da Polícia Civil (Core-PC) e do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (Bope/CANIL).
Resultados da Operação
Ao longo dos quatro dias de operação, 159 policiais penais estaduais foram mobilizados, contando ainda com o apoio de Policiais Penais Federais e outras forças de segurança. As revistas foram concentradas em dois prédios do Complexo Penitenciário, o Anexo, onde ficam os presos do regime semiaberto, e o Cadeião, onde estão detentos em regime fechado.
Foram revistadas 34 celas, com a movimentação coordenada e segura de 581 internos. Como resultado, a operação apreendeu:
- 34 aparelhos telefônicos
- 95 porções de substâncias entorpecentes
- 92 estoques e materiais perfurocortantes
- 2 balanças de precisão
- 24 carregadores de celular
- 16 fones de ouvido
O diretor do Iapen, Luís Carlos Gomes Jr., destacou que o Amapá participou de todas as fases da Operação 'Mute' e que, nesta edição, decidiu antecipar um dia das revistas para uma abordagem mais minuciosa no Anexo, setor considerado vulnerável devido ao intenso fluxo de presos que saem para trabalhar e retornam ao fim do dia.
"Depois desse primeiro dia da operação, intensificamos as revistas na unidade do 'Cadeião', especialmente nos pavilhões dos presos do regime fechado. Contamos com a participação de 159 policiais penais, um número recorde para essa operação, além do apoio da Polícia Civil e da Polícia Militar, por meio do Canil do Bope", afirmou.
O diretor ressaltou que a presença de celulares dentro das unidades prisionais fortalece a atuação do crime organizado.
"Os aparelhos nas mãos de criminosos dentro da penitenciária são armas que possibilitam a aplicação de golpes e a coordenação de crimes violentos. O objetivo da operação é impedir essa comunicação indevida, que é fundamental para a organização criminosa", explicou.
Apreensão de celulares fora da penitenciária
Além das apreensões dentro do presídio, Luís Carlos Gomes Jr. revelou que, logo após a operação, houve uma tentativa de reabastecimento de celulares na unidade.
"Durante a madrugada, policiais penais identificaram um veículo em atitude suspeita e, ao abordá-lo, encontraram dois menores transportando 39 celulares. Foi a nossa maior apreensão de aparelhos fora do sistema prisional, resultado direto do monitoramento intensificado", disse.
O diretor ressaltou ainda que o Governo do Amapá vem investindo em tecnologia e reforço de pessoal para impedir a entrada de ilícitos nos presídios.
"Com a nomeação de 250 novos policiais penais, poderemos fortalecer o controle nas unidades, reavaliar regras de entrada de visitantes e reforçar os postos de vigilância, minimizando vulnerabilidades que ainda existem", concluiu.
