O Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP) realizou na ultima sexta-feira (22) o 1º Seminário Amazônico de Justiça e Segurança Pública, no auditório do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AP), em Macapá. O encontro, aberto ao público, reuniu profissionais da segurança, representantes de instituições e a comunidade para debater os desafios do combate ao crime organizado na Amazônia.
O seminário contou com a participação de dois especialistas reconhecidos na área: o coronel da reserva da Polícia Militar do Pará, César Maurício de Abreu Mello, e o coronel da reserva Fabrício Silva Bassalo, também da PM-PA. As palestras abordaram desde a expansão territorial das facções criminosas até as particularidades das rotas ilícitas na região, como as hidrovias usadas para o tráfico de drogas.
Para o chefe do Gabinete Militar do TJAP, coronel Aldinei Almeida, o evento representa um marco no fortalecimento da cultura de prevenção e proteção no Estado:
“Uma das vertentes desse seminário é o envolvimento dos stakeholders, gestores, executores, policiais, secretários, imprensa e comunidade. Todos têm um papel fundamental no enfrentamento ao crime organizado. O objetivo é despertar um alerta para que, a partir deste debate, possamos desencadear outras ações práticas, como operações integradas, cursos e treinamentos. A Amazônia tem especificidades, principalmente nas rotas fluviais, que demandam atenção especial das forças de segurança”, explicou.
O coronel Fabrício Bassalo, pesquisador do Núcleo de Estudos Aplicados ao Comportamento da UFPA, destacou a importância de compreender a Amazônia como um cenário único no enfrentamento ao crime:
“Muito se fala do ‘custo Brasil’, mas pouco se fala do ‘custo Amazônia’. Vivemos um país dentro de outro país. A Amazônia é hoje uma das principais rotas do crime organizado, tanto para drogas quanto para armas. É prioridade absoluta de Estado. Por isso, precisamos unir o sistema de justiça, segurança pública e também a pesquisa acadêmica. O crime avança de forma exponencial, enquanto nossas forças crescem de maneira linear. Aqui, o desafio é ainda maior: o tráfico se aproveita da logística dos rios e da vulnerabilidade das populações locais para se camuflar. Esse é o grande esforço que temos de enfrentar”, afirmou.
O seminário buscou também compartilhar experiências práticas. O coronel César Mello, por exemplo, já atuou em operações que resultaram na apreensão de mais de seis toneladas de drogas na Amazônia, uma das maiores da região. A ideia, segundo os organizadores, é que o conhecimento acumulado por profissionais de larga experiência contribua para fortalecer as estratégias de defesa no Amapá.
“A comunidade também é parte importante desse processo. Não estamos falando apenas de forças policiais, mas de uma integração maior que envolve sociedade, imprensa e gestores públicos. É um esforço coletivo para proteger a Amazônia”, reforçou o coronel Aldinei Almeida.
O evento encerrou com a perspectiva de que outros encontros semelhantes sejam realizados, promovendo não apenas debates, mas também o planejamento de ações concretas no combate à criminalidade organizada que atinge a região.
