O Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP) lançou, nesta quarta-feira (25), o projeto “Tecendo Vínculos: a Proteção Integral na Transição para a Família Adotiva”, iniciativa que busca fortalecer o trabalho das equipes que atuam diretamente com crianças e adolescentes em acolhimento institucional.
A ação é coordenada pelo Núcleo de Atendimento Psicossocial (NAP) do Juizado da Infância e Juventude – Área Cível e Administrativa, sob titularidade da juíza Stella Ramos. A primeira etapa do projeto iniciou com uma capacitação destinada a profissionais do Lar Ciã Katuá, realizada na Escola Judicial do Amapá (EJAP).
O treinamento reuniu psicólogos, assistentes sociais, pedagogos, cuidadores e demais integrantes das equipes técnicas das casas de acolhimento.
Fortalecimento da rede de proteção
Durante o lançamento, a juíza Stella Ramos destacou que o projeto representa um avanço na qualificação do trabalho institucional e no fortalecimento da rede de proteção.
Segundo a magistrada, a iniciativa contribui para alinhar a atuação do Judiciário com as instituições que atendem crianças e adolescentes, garantindo decisões mais seguras e fundamentadas.
Ela ressaltou ainda que investir na capacitação das equipes significa melhorar diretamente a qualidade do atendimento e assegurar que o processo de transição para a família adotiva ocorra de forma mais humanizada, reduzindo riscos de rupturas e priorizando sempre o interesse da criança.
Preparação das equipes e das crianças
A psicóloga do Juizado da Infância e Juventude da Comarca de Macapá, Juliany Castro, explicou que o projeto foi criado para integrar e fortalecer toda a rede envolvida no processo de acolhimento e adoção.
Segundo ela, a capacitação tem como foco preparar as equipes técnicas para conduzir adequadamente o acompanhamento das crianças que passarão pela transição para uma família substituta.
A profissional destacou que muitas crianças chegam ao acolhimento após situações difíceis, como negligência ou maus-tratos, carregando experiências traumáticas e rupturas familiares. Por isso, a preparação é essencial para ajudá-las a lidar com um novo ambiente e estabelecer vínculos seguros.
Ela explicou ainda que durante a transição é comum que a criança apresente comportamentos de teste e adaptação, já que passa a conviver com uma realidade diferente daquela à qual estava habituada.
Redução de riscos e prevenção de rupturas
Juliany Castro ressaltou que um dos principais objetivos do projeto é reduzir a possibilidade de fracasso na adoção.
Segundo ela, ao capacitar melhor as equipes das instituições, torna-se possível identificar sinais de dificuldades, preparar a criança e orientar adequadamente as famílias, diminuindo as chances de rompimento do vínculo e retorno ao acolhimento.
Papel das casas de acolhimento
A psicóloga também explicou que as casas de acolhimento funcionam como espaços de proteção temporária para crianças e adolescentes cujas famílias, por algum motivo, não conseguem garantir seus cuidados básicos.
Nesses locais, o Estado assume a responsabilidade pelo atendimento integral, oferecendo acompanhamento técnico, suporte emocional e garantia das necessidades essenciais até que seja possível o retorno à família de origem ou a inserção em uma família adotiva.
Ela enfatizou que o cotidiano nessas instituições envolve atuação de equipes multidisciplinares e que a capacitação busca justamente qualificar esse trabalho diário, garantindo melhores condições de desenvolvimento para os acolhidos.
Continuidade do projeto
O TJAP informou que o “Tecendo Vínculos” terá novas etapas ao longo do ano, incluindo outras capacitações e ações interinstitucionais voltadas ao fortalecimento da proteção integral e à melhoria dos processos de acolhimento e adoção.
