Teve início nesta quarta-feira, 28 de maio, em Macapá, o II Seminário de Prevenção da Mortalidade Materna do Estado do Amapá. O encontro, que acontece na sede da Procuradoria Geral de Justiça, no bairro Araxá, reúne cerca de 150 profissionais da saúde com o apoio do Governo do Estado e é promovido pelo Comitê Estadual de Prevenção da Mortalidade Materna, Infantil e Fetal.
A proposta do seminário é fortalecer a articulação entre instituições e serviços de saúde, aprimorar a investigação dos óbitos maternos e infantis, e gerar subsídios para a formulação de políticas públicas mais eficazes, com foco especial na atenção à saúde da mulher. O evento também marca a mobilização em torno do Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher e do Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna.
Segundo a juíza Alaide de Paula, presidente do Comitê Estadual, o seminário vai além do debate: é um espaço de proposições práticas.
“As discussões que fazemos aqui geram encaminhamentos concretos. Se não há resposta, nós cobramos. Estudamos casos reais, sem identificação, para entender o que aconteceu, o que poderia ter sido evitado. E levamos isso aos profissionais de saúde, para aprimorarmos cada vez mais a atuação no atendimento às mulheres", destaca.
A mortalidade materna no Amapá ainda é uma das maiores da região Norte. Em 2024, foram registrados nove óbitos relacionados à gravidez e parto, segundo dados apresentados durante o evento. Para Nilma Pureza, enfermeira da Secretaria de Saúde e vice-presidente do Comitê, a situação é grave e exige respostas urgentes e coordenadas.
“Estamos enfrentando um dos problemas mais sérios de saúde pública no estado. Só em parceria com instituições como o Tribunal de Justiça, o Ministério Público, as universidades e os profissionais da linha de frente é que conseguiremos reduzir esses números. Uma das causas principais é a iniciação tardia do pré-natal, que muitas vezes só começa no quinto ou sexto mês. Isso já compromete os cuidados e pode levar a complicações evitáveis", alertou.
Além da demora no início do pré-natal, outros fatores contribuem para a alta mortalidade, como destaca o promotor de Justiça Wueber Duarte Penafort, da Promotoria da Saúde e coordenador do Centro de Apoio Operacional da Saúde.
“Apenas 18% das gestantes em Macapá fazem o pré-natal corretamente. Isso significa que 80% das mães não realizam os exames básicos, chegando às maternidades com hipertensão, diabetes e outras condições agravadas. Outro ponto crítico é a gravidez na adolescência, que envolve despreparo familiar e social, preconceito, abandono e falta de suporte. Precisamos de uma resposta integrada entre Estado, municípios, UBSs, hospitais, escolas e famílias", afirmou.
O promotor também chamou atenção para a necessidade de combater a violência obstétrica e implementar educação sexual nas escolas como estratégias fundamentais para mudar esse cenário.

O seminário segue até o final do dia com mesas técnicas, grupos de trabalho e propostas de encaminhamentos que visam transformar os dados alarmantes em ações efetivas. A expectativa dos organizadores é de que os debates se traduzam em melhorias reais na saúde pública do Amapá.


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