A Polícia Civil do Amapá, por meio da 10ª Delegacia de Polícia da Capital, localizou e recuperou uma lancha avaliada em mais de R$ 400 mil, que havia sido vendida de forma irregular, sem a autorização do verdadeiro proprietário.

Segundo a delegada Luiza Maia, responsável pelo caso, as investigações começaram após o registro de um boletim de ocorrência.
"Recebemos o boletim de ocorrência sobre o desaparecimento, no primeiro momento, de furto de uma embarcação e de motores. Durante nossa investigação, verificamos que não se tratava exatamente de furto, mas sim de estelionato. A pessoa que mantinha a posse e a guarda dos objetos era uma oficina náutica em quem o proprietário confiava. Ele negociou os bens como se fossem seus, o que caracteriza o crime de estelionato por disposição de coisa alheia como própria."

O proprietário da embarcação, o empresário, oficial de cartório e produtor rural Carlos Alberto do Vale e Silva Chermont, relatou que havia contratado o estaleiro para construir a lancha que seria usada em sua propriedade na Ilha do Marajó.
"Nós prestigiamos o estaleiro dele, fizemos a construção da lancha e montamos para viabilizar minha viagem. Por não morar em Macapá, deixamos a embarcação sob a responsabilidade dele. Só que, infelizmente, fomos vítimas de uma traição de confiança. Mais de um ano buscamos respostas sem saber o paradeiro da lancha. Agora, graças à Polícia Civil, conseguimos elucidar o caso e recuperar os bens."
A delegada detalhou que a embarcação foi negociada com diferentes pessoas, o que agravou a situação.
"Houve duas comercializações. Os objetos foram vendidos para receptadores distintos, o que nos trouxe mais investigados. A equipe da 10ª DP, sob o comando do agente Eduardo Nery, utilizou tecnologia avançada para rastrear os bens, que foram interceptados nos portos de Santana e Fazendinha."
Os motores e a lancha,agora com avarias, alterações estéticas e até mudança de cor e nome, foram localizados em Gurupá (PA) e Afuá (PA), e foram devolvidos ao proprietário. A entrega oficial foi na manhã desta quinta-feira, 15 de maio de 2025, na sede da 10ª DP, na Expofeira.
"É um trabalho que mostra a eficiência da nossa equipe. Um bem avaliado em quase meio milhão de reais está sendo devolvido à vítima. Indiciamos por estelionato e também por receptação qualificada, já que os receptadores são empresários. Além disso, contamos com apoio importante da 5ª DP, através do agente Mendes, que trouxe informações cruciais. Esse caso mostra a integração entre as delegacias e o compromisso com a sociedade amapaense", destacou Luiza Maia.
A venda ilegal foi feita sem nota fiscal, recibo ou qualquer documento formal.
"Tentaram até regularizar a lancha na Capitania, mas não conseguiram. Ela foi levemente modificada para dificultar a identificação, mas a investigação foi rápida", explicou a delegada.
Três pessoas já foram indiciadas, incluindo o dono da oficina náutica e dois receptadores. Uma quarta pessoa, a primeira a adquirir a lancha, ainda está sendo investigada. Uma organização não governamental também aparece nas apurações como receptora da lancha, e sua participação será analisada pelo Judiciário.
Carlos Alberto relatou ainda que tentou resolver a situação de forma amigável, mas não teve retorno.
“Recebi até a informação de que os motores haviam se perdido em um naufrágio, o que era mentira. Só depois de muita insistência recorri à Polícia, que conseguiu solucionar o caso.”
Os procedimentos para devolução dos bens já foram concluídos. A embarcação e os motores, que pesam cerca de uma tonelada, foram restituídos ao empresário logo após a assinatura do termo de recebimento de bens, com apoio logístico da Polícia Civil. O inquérito será finalizado e encaminhado ao Judiciário, que decidirá as medidas penais cabíveis.


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