Na manhã de sexta-feira (30), o Quartel da Polícia Militar do Amapá foi tomado por emoção, sorrisos e histórias inspiradoras durante a comemoração dos 23 anos do projeto social Peixinhos Voadores, que já beneficiou mais de 35 mil crianças e adolescentes com aulas gratuitas de natação e formação cidadã. O café da manhã reuniu alunos, pais, dirigentes e autoridades, marcando mais um capítulo na trajetória de uma das iniciativas sociais mais respeitadas do estado.
Um sonho que se tornou realidade
O idealizador e coordenador geral do projeto, professor Sebastião Mota, conhecido por ser uma das referências nacional na natação, emocionou-se ao falar do seu propósito:
“O que me motiva é ver essas crianças sorrindo e se tornando cidadãos de bem. Isso aqui é uma contribuição para o Amapá e para o Brasil. A gente se sente realizado, não totalmente ainda, mas eu vou me realizar mesmo quando a piscina for reformada. O governador me prometeu, e eu acredito que ele vai cumprir. Aí sim, eu posso ir tranquilo lá pra andar de cima.”
Mota, que também é ex-militar da Aeronáutica e ex-atleta da seleção brasileira de natação, lembra com orgulho de sua jornada e reforça o impacto da disciplina e do cuidado com os alunos:
“Aqui dentro do quartel, as crianças já entendem que há disciplina. Eu sou brincalhão, espontâneo, mas todos me respeitam, assim como respeitam os professores. Atendemos hoje 600 crianças, entre elas cerca de 70 autistas. É impressionante como a água acalma, muda o comportamento delas. Eu não sou médico, mas vejo isso todos os dias.”
O apoio institucional da Polícia Militar
Para o comandante-geral da PM-AP, coronel Costa Júnior, o Peixinhos Voadores é um marco na história da corporação:
“É um projeto que atua em vários municípios, mas com maior força em Macapá. Mais de 20 mil crianças e adolescentes já passaram por aqui. Muitos deles cresceram e hoje fazem parte da Polícia Militar. É uma ação social que traz saúde, disciplina, convívio em sociedade e previne situações de risco.”
Ele destaca ainda a importância de projetos sociais liderados por figuras como o professor Mota:
“Projetos como esse são idealizados por pessoas comuns, mas extraordinárias. O Mota foi militar, fez a travessia da Baía do Guajará, representou o Brasil, e hoje canaliza tudo isso em benefício da comunidade. A Polícia Militar tem orgulho de apoiar e integrar esse projeto ao nosso trabalho social.”
Vozes da comunidade
A cabeleireira Dinelma Silva, mãe da pequena Esther Silva, de 10 anos, que está há três meses no projeto, relata o impacto positivo na rotina da filha:
“Ela é muito ativa e adora esporte. Isso aqui foi maravilhoso, tirou ela um pouco do celular. Eu queria que fosse mais dias na semana, porque às vezes ela fica muito parada em casa. O projeto é incrível. Meu filho mais velho estudou aqui há 8 anos e até hoje ama nadar. Esse projeto transforma vidas e deveria existir em mais lugares.”
Reconhecimento político e futuro promissor
O presidente da Câmara Municipal de Macapá, vereador Pedro DaLua, também esteve presente no evento e enalteceu a importância do Peixinhos Voadores como uma política pública bem-sucedida:
“Essa é uma ideia que deu certo. O professor Mota é reverenciado por todos, e o poder público reconhece isso. A Câmara está junto para incentivar e apoiar. Esperamos que, com mais recursos, a estrutura possa ser ampliada e outros centros sejam criados. O esporte é saúde, é prevenção, é oportunidade.”
Legado
Mais que aulas de natação, o Peixinhos Voadores representa um modelo de transformação social, disciplina, acolhimento e esperança. Em 23 anos de existência, tornou-se referência e orgulho do Amapá. Agora, com o apoio do governo, da comunidade e das instituições, o projeto vislumbra um futuro ainda mais inclusivo, com a tão sonhada reforma da piscina e a expansão para novas áreas do estado.
“O dia que eu não puder mais ensinar, eu quero que isso continue. Porque o Peixinhos Voadores é uma ideia que deu certo. E ideias assim precisam viver para sempre”, finalizou o professor Mota.


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