O Governo do Amapá lançou oficialmente nesta terça-feira (15) a terceira edição do projeto Afro Mulher, uma ação que leva qualificação profissional para mulheres negras em situação de vulnerabilidade. Desta vez, o foco será na comunidade quilombola do Curiaú, em Macapá, com a meta de capacitar 120 mulheres em cursos como costura, biojoias, trancista, serigrafia e outros voltados à geração de renda.
Coordenado pela Fundação Estadual de Políticas de Igualdade Racial (Fundação Marabaixo), o projeto integra o programa Amapá Afro e conta com a parceria da grife afro Zwanga Fashion, que atua diretamente na execução dos cursos nas comunidades.
De acordo com Rejane Soares, coordenadora do projeto, o encontro realizado no Palácio do Setentrião foi para pactuar as ações com representantes das associações locais e instituições parceiras.
"Hoje é o lançamento oficial da terceira edição do Afro Mulher, que é um projeto que qualifica mulheres negras para atuarem no mercado de trabalho, muitas vezes dentro de casa, com autonomia, gerando sua própria renda", explicou.
A coordenadora destacou que os cursos foram pensados com base em uma pesquisa que identificou as principais demandas das participantes.
“Estamos falando de mulheres de baixa renda, muitas mães solo, que querem trabalhar sem sair do lar. Por isso os cursos incluem opções como costura, maquiagem, trancista, produção de sabão artesanal com insumos do Amapá, manicure, e até a confecção de bonecas à mão”, pontuou.
Outro diferencial do projeto é o chamado “kit semente” entregue ao final dos cursos.
“O que a gente não queria era que elas saíssem com mais um certificado na gaveta. A mulher já sai do curso com o material para começar a trabalhar. Se é costura, ela ganha máquina, tecido, linha. Se é maquiagem, ganha os produtos. E nós ainda acompanhamos o início dessa jornada empreendedora”, afirmou Rejane.
A expectativa é expandir o Afro Mulher para mais municípios, como Laranjal do Jari, Serra do Navio, Pedra Branca e Tartarugalzinho. As edições anteriores foram realizadas no conjunto Macapaba, em Macapá, e no município de Mazagão, com resultados positivos que reforçaram a continuidade do projeto.
Josilana Santos, diretora-presidente da Fundação Marabaixo, destacou que o Afro Mulher está alinhado ao programa de governo do governador Clécio Luís.
“É um projeto que estava engavetado há anos e agora está sendo colocado em prática. Chegamos ao Curiaú, um território quilombola que engloba comunidades como o Rosa, Curralhinho e Casa Grande, com o objetivo de garantir autonomia e liberdade financeira para essas mulheres”, disse.
Josilana também reforçou a importância da iniciativa como uma política de reparação.
“A maior parte da população do Amapá é negra, e a maioria são mulheres que enfrentam o racismo, o preconceito e a exclusão. O Afro Mulher vem como esse cuidado integral com a mulher negra, valorizando sua história e seu potencial de transformação.”


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