Nos últimos anos, a Polícia Civil do Amapá tem demonstrado um notável avanço na implementação de tecnologias e no fortalecimento de suas operações. O mais recente marco desse processo é a aquisição do software francês Mercure, uma ferramenta de inteligência policial de última geração que promete transformar as investigações no estado. O Amapá é o primeiro estado da Região Norte a adotar essa tecnologia, o que marca um avanço significativo para a segurança pública local.
Em entrevista exclusiva ao portal de notícias ericqueiroz.com.br, o delegado geral da Polícia Civil do Amapá, Cezar Vieira, detalhou as expectativas com a implementação do Mercure e os impactos dessa aquisição nas investigações da corporação. Segundo Vieira, o Mercure tem como objetivo agilizar e potencializar o trabalho investigativo da Polícia Civil, reunindo informações de diversas fontes e utilizando algoritmos avançados para fazer conexões e identificar padrões de comportamento criminoso.
O Impacto do Mercure nas Investigações
De acordo com o delegado Cezar Vieira, o Mercure se insere em um contexto mais amplo de investimentos em segurança pública no Amapá.
"A decisão do governador Clécio Luís de investir na segurança pública reflete-se em ferramentas como o Mercure, um sistema utilizado por polícias judiciárias em diversas partes do Brasil e agora pela primeira vez na Região Norte. Estamos na fase de capacitação do efetivo para que possamos tirar o máximo proveito dessa tecnologia", afirmou Vieira.
O sistema Mercure será fundamental para integrar as informações obtidas por diferentes unidades da Polícia Civil, como as delegacias de Homicídios, Entorpecentes, a DRACO (Divisão de Repressão ao Crime Organizado) e a DR Cyber (Divisão de Repressão aos Crimes Cibernéticos). Ao reunir esses dados em uma única plataforma, o software possibilita uma análise mais ágil, melhorando a articulação entre as equipes de investigação e acelerando o processo de identificação de criminosos e organizações criminosas.
Além disso, o Mercure permitirá a vinculação de dados com outros sistemas de inteligência, como o Sistema Macros, em parceria com a Controladoria Geral da União (CGU), e outras bases de dados de outras polícias que utilizam a mesma ferramenta.
"Esse compartilhamento de informações vai economizar tempo, agilizar as investigações e gerar respostas mais rápidas para a sociedade", explicou o delegado.
Investimentos em Capacitação e Estrutura
O Mercure não é o único investimento realizado para modernizar a Polícia Civil do Amapá. Em 2024, o estado recebeu R$ 38 milhões do Fundo Estadual de Segurança Pública (Funsep) para reequipar as forças policiais. Esses recursos foram destinados à compra de armamentos, veículos e tecnologias, como o Mercure, além de garantir a capacitação contínua dos agentes.
Vieira destacou que, até o momento, cerca de 1.900 servidores da Polícia Civil foram capacitados ao longo deste ano. A meta é continuar essa formação técnica, pois, segundo ele, "a capacitação do efetivo é essencial para garantir que a Polícia Civil tenha uma atuação cada vez mais qualificada e eficaz no combate ao crime".
A Dinâmica de Prevenção de Crimes
Uma das grandes vantagens do Mercure é sua capacidade de atuar não apenas nas investigações, mas também na prevenção de crimes. Vieira explicou que, ao analisar grandes volumes de dados, o sistema consegue identificar padrões de criminalidade, como a atuação de grupos criminosos em determinadas áreas, permitindo que a polícia atue de forma antecipada.
"Com o volume de informações que conseguimos agregar no Mercure, conseguimos traçar o perfil de criminosos e de organizações criminosas. Isso nos dá um norte sobre onde devemos concentrar nossos esforços para prevenir crimes antes que eles ocorram", afirmou Vieira. Essa capacidade de agir de forma proativa pode ser um divisor de águas na prevenção e repressão à criminalidade no estado.
Integração com Outros Estados da Região Norte
Outro aspecto destacado pelo delegado é a importância da integração entre os estados da Região Norte para fortalecer a segurança pública. O Amapá, ao adotar o Mercure, se torna parte de uma rede de compartilhamento de informações com outros estados que utilizam a mesma tecnologia.
"Esse sistema permite a vinculação de dados com outras polícias, facilitando a troca de informações entre os estados e aprimorando as investigações de crimes transnacionais", explicou o delegado.
Essa articulação é fundamental, pois a Região Norte enfrenta desafios específicos, como o tráfico de drogas e a atuação de organizações criminosas com ramificações em diversos estados. A integração de esforços entre as forças de segurança de diferentes estados pode potencializar as operações contra esses grupos.
Planos Futuros e Investimentos para 2025
O delegado Cezar Vieira também falou sobre os planos da Polícia Civil para o futuro. Ele explicou que, em 2025, a corporação continuará a investir em capacitação e na aquisição de novos equipamentos, além de reforçar a infraestrutura e o armamento da Polícia Civil.
"A estratégia para o próximo ano inclui mais investimentos em capacitação, em viaturas, armamentos e em ferramentas tecnológicas. Estamos sempre em busca das melhores soluções, participando de congressos e fóruns internacionais para trazer o que há de mais moderno em termos de tecnologia para o Amapá", afirmou.
A Polícia Civil do Amapá está em um processo contínuo de modernização e capacitação, com investimentos significativos em tecnologia, treinamento e equipamentos. O uso do Mercure, somado a outros avanços na área de segurança pública, promete transformar o trabalho da corporação e melhorar ainda mais a segurança da população. Com a integração entre as forças de segurança do estado e a Região Norte, o Amapá se posiciona na vanguarda da inovação em segurança pública no Brasil.


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