Representantes de movimentos sociais, lideranças femininas e integrantes do poder público participaram na última terça-feira (10), em Macapá, do 2º Encontro de Mulheres Negras pós-Marcha 2025, iniciativa que busca fortalecer o diálogo sobre políticas públicas voltadas às mulheres negras no Amapá.
A programação aconteceu no auditório da Agência Amapá e reuniu participantes de diferentes regiões do estado, incluindo municípios considerados extremos territoriais, como Oiapoque, Mazagão, Vitória do Jari e a Ilha de Santana. O encontro faz parte das ações do Governo do Estado para ampliar o debate sobre igualdade racial, direitos das mulheres e enfrentamento à violência.
De acordo com a gerente de articulação com movimentos sociais de mulheres, Joanne Costa, o encontro é um desdobramento da participação de representantes do Amapá na Marcha de Mulheres Negras realizada em Brasília, em 2025.
Segundo ela, o objetivo do momento é consolidar as demandas apresentadas pelo movimento e transformá-las em propostas concretas de políticas públicas.
“O pós-encontro serve justamente para que as mulheres do movimento social produzam documentos com as suas reivindicações em relação às políticas públicas voltadas às mulheres negras. Nós discutimos recortes importantes, como raça e gênero, porque infelizmente a maior parte das vítimas de feminicídio são mulheres pretas e ainda existem muitas dificuldades de acesso a direitos básicos como educação, saúde e segurança”, destacou.
Ainda segundo Joanne Costa, a iniciativa também reforça a importância do diálogo entre governo e sociedade civil para garantir avanços nas políticas públicas.
“Aqui nós levantamos as reivindicações que vêm dos diversos territórios. As mulheres trazem as necessidades de seus municípios, como a criação de delegacias da mulher ou programas de capacitação. A partir disso, construímos documentos que serão encaminhados aos órgãos competentes para que possamos discutir a viabilidade e transformar essas demandas em ações concretas”, explicou.
O trabalho é desenvolvido em parceria com instituições estaduais e organizações sociais, incluindo a Fundação Marabaixo e outros órgãos que atuam na promoção da igualdade racial e de políticas para mulheres.
A construção das propostas ocorre por meio do Comitê de Mulheres Negras, que reúne representantes de diferentes municípios do estado. Durante os encontros, são debatidas experiências vividas nos territórios e definidas prioridades para a elaboração de documentos que serão encaminhados ao poder público.
Entre as participantes está Luana Farias, representante do coletivo de mulheres negras do município de Oiapoque. Ela destacou a importância da presença de mulheres do interior nos debates realizados na capital.
“Eu venho do município mais distante da capital e sabemos que o acesso às políticas públicas lá ainda é muito difícil. Muitas vezes não temos representantes que levem as nossas pautas ou que trabalhem diretamente com as demandas das mulheres negras”, afirmou.
Luana também ressaltou que a mobilização das mulheres negras tem ganhado força ao longo dos anos, especialmente após as marchas nacionais realizadas em defesa dos direitos desse segmento.
“A marcha das mulheres negras vem acontecendo desde 2015 e, em 2025, tivemos a segunda edição com o tema ‘reparação e bem viver’. Esse bem viver começa pelo direito à vida. O feminicídio está extremamente alto e as mulheres negras são as mais afetadas por essa violência”, pontuou.
Segundo ela, a participação no encontro é uma forma de cobrar mais ações do poder público e garantir que as demandas das mulheres que vivem em regiões mais afastadas também sejam consideradas.
“Nós estamos aqui cobrando políticas públicas para as mulheres negras. No município de Oiapoque, por exemplo, não temos uma estrutura específica para trabalhar essas pautas. Por isso, uma das nossas principais reivindicações é a criação de uma secretaria municipal ou de um órgão que trate diretamente dessas políticas”, destacou.
O encontro também reforça a importância da articulação entre governo e movimentos sociais na construção de estratégias para enfrentar desigualdades históricas e ampliar o acesso das mulheres negras a direitos fundamentais.
Ao final das discussões, as propostas apresentadas pelas participantes devem compor um documento que será encaminhado a órgãos estaduais responsáveis por políticas de gênero e igualdade racial.


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