O Amapá se tornou, nesta semana, o centro das atenções internacionais na área da saúde pública ao sediar a Reunião Técnica Internacional da Rede Amazônica-Darién para Zoonoses Emergentes com Potencial Epidêmico (RADE 2025). O encontro, promovido pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), com apoio do Ministério da Saúde e do Governo do Estado, acontece de 22 a 24 de outubro, no Museu Sacaca, em Macapá.
Participam representantes de nove países, Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Panamá, Peru, Venezuela e Suriname, que integram a rede criada para fortalecer o monitoramento e a resposta a doenças zoonóticas, aquelas transmitidas entre animais e humanos, que podem se tornar epidemias ou pandemias.
De acordo com Ana Cláudia Pimentel Costa, superintendente da Superintendência de Vigilância em Saúde (SVS) do Amapá, a realização do evento no estado reconhece a capacidade técnica local e o protagonismo regional na área da vigilância epidemiológica.
“Recebemos delegações de nove países, e isso demonstra a confiança na estrutura técnica do Amapá para sediar uma reunião tão importante. Aqui, estamos discutindo patógenos zoonóticos, agentes infecciosos que têm origem animal e podem ser transmitidos ao ser humano, como foi o caso do coronavírus, do ebola e da gripe aviária”, destacou a superintendente.
Segundo Cláudia Pimentel, o encontro tem como objetivo principal alinhar estratégias entre os países amazônicos para que possam agir rapidamente diante do surgimento de novas doenças.
“Essas oficinas técnicas permitem a troca de experiências, a elaboração de planos de emergência e o compartilhamento de dados científicos. O termo ‘emergente’ significa justamente isso: uma doença que surge de forma inesperada e exige resposta imediata. É isso que queremos prevenir”, explicou.
A superintendente também ressaltou que, atualmente, não há um patógeno específico em observação na Amazônia, mas há um trabalho contínuo de vigilância e pesquisa para detectar precocemente qualquer sinal de reemergência ou aparecimento de novas doenças.
“É um trabalho preventivo e de pesquisa epidemiológica, que busca identificar indícios de novas infecções ou o retorno de doenças já controladas. O objetivo é evitar que pequenos surtos se tornem emergências sanitárias”, acrescentou.
Cláudia Pimentel agradeceu o apoio do Governo do Estado, na pessoa do governador Clécio Luís, e destacou o papel do deputado federal Dorinaldo Malafaia, articulador da realização da RADE 2025 no Amapá.
“O governador assumiu com muita responsabilidade esse evento internacional, e o deputado Dorinaldo foi fundamental para que essa reunião ocorresse aqui. Isso mostra a grandeza do Amapá como um dos protagonistas na prevenção de futuras pandemias e no controle de zoonoses”, ressaltou.
A RADE 2025 reforça ainda a importância da cooperação entre os países amazônicos, que compartilham fronteiras extensas e ecossistemas semelhantes.
“Temos acordos de cooperação técnica com a Guiana Francesa e outros vizinhos. Essa integração é essencial para fortalecer o trabalho conjunto de vigilância e resposta rápida frente às ameaças à saúde pública”, concluiu a superintendente.


Comentários: