Na manhã desta segunda-feira (2), o superintendente da Superintendência de Vigilância em Saúde (SVS), Cássio Peterka, concedeu uma coletiva à imprensa no auditório da instituição para apresentar os dados atualizados sobre os casos de Covid-19, Influenza e outras síndromes respiratórias no estado do Amapá.
Segundo Peterka, há um aumento sazonal típico dessa época do ano das síndromes respiratórias agudas graves (SRAG), com destaque para o vírus sincicial respiratório, que tem acometido principalmente crianças menores de 5 anos.
"Cerca de 50% dos casos de agravamento em crianças são causados por esse vírus. Ele é hoje o principal agente causador de internações nessa faixa etária", destacou.
Outros vírus também estão em circulação, como o rinovírus, adenovírus, e os vírus da Influenza A e B. No entanto, o maior número de complicações e hospitalizações vem sendo causado pelo vírus sincicial. Por conta disso, a Secretaria de Saúde publicou um decreto para reforçar o fluxo de atendimento pediátrico no estado.
Covid-19 segue estável, mas vacinação preocupa
O superintendente ressaltou que os casos de Covid-19 não têm apresentado crescimento expressivo.
"Embora a cobertura vacinal contra a Covid de rotina esteja abaixo de 10%, os casos que temos registrado são majoritariamente síndromes gripais leves", explicou.
Ainda assim, ele alertou para a importância de manter os cuidados básicos, como o uso de máscara ao apresentar sintomas gripais, higiene frequente das mãos e o uso de álcool em gel.
Cobertura vacinal contra Influenza está abaixo do ideal
Em relação à vacinação contra Influenza, Peterka revelou que apenas 59% do público-alvo foi vacinado até o momento no Amapá, número considerado baixo.
"A campanha na região Norte ocorre no segundo semestre. É fundamental que a população esteja atenta quando o Ministério da Saúde enviar a vacina atualizada, prevista para agosto e setembro", afirmou.
Atendimento e ocupação de leitos
Peterka informou que os atendimentos de síndromes gripais leves continuam sendo realizados nas Unidades Básicas de Saúde dos 16 municípios do estado. Casos mais graves são encaminhados para internação hospitalar. A respeito da ocupação dos leitos, ele destacou que os dados são de responsabilidade da Secretaria de Estado da Saúde (SESA).
Na última semana epidemiológica, foram 170 hospitalizações por SRAG, das quais 27 em unidades de terapia intensiva (UTI). Em 2023, nesse mesmo período, o estado registrava uma média de 180 hospitalizações semanais. Apesar da leve queda, o alerta permanece devido ao aumento contínuo nas semanas mais recentes.
Comparativo 2024 x 2025: casos de vírus sincicial e Influenza disparam

A SVS também apresentou os dados comparativos entre os meses de janeiro a maio de 2024 e 2025, mostrando um aumento preocupante de infecções respiratórias, especialmente entre crianças:
Vírus Sincicial Respiratório:
2024: 238 casos | 2025: 620 casos
Aumento de 160%, sendo o principal responsável pelas internações pediátricas.
Influenza A:
2024: 161 casos | 2025: 292 casos
Alta significativa nos casos, ainda com baixa cobertura vacinal.
Influenza B:
2024: 0 casos | 2025: 33 casos
Reaparecimento da cepa com impacto ainda moderado.
Covid-19:
2024: 596 casos | 2025: 236 casos
Queda de mais de 60% nos registros.
Rinovírus:
2024: 508 casos | 2025: 519 casos
Estabilidade nos números.
“Estamos no final do nosso inverno amazônico, ainda com chuvas e ambientes mais fechados. Isso favorece a transmissão. Precisamos manter os cuidados e reforçar a vacinação, principalmente das crianças”, concluiu o superintendente.
