O Amapá intensifica as ações de enfrentamento à sífilis durante o Outubro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a prevenção, diagnóstico e tratamento da doença. Como parte das atividades, a Superintendência de Vigilância em Saúde (SVS) realizou o Seminário Estadual da Sífilis, reunindo profissionais e estudantes da área da saúde para discutir medidas de controle e estratégias de eliminação da sífilis congênita no estado.
O evento teve como foco principal a sífilis congênita, transmitida da gestante para o bebê durante a gravidez, e que ainda apresenta índices preocupantes no Amapá. Segundo o responsável técnico da sífilis na SVS e coordenador do evento, Florinaldo Carreteiro, o seminário buscou capacitar profissionais e sensibilizar as equipes municipais sobre a importância do diagnóstico precoce e do tratamento correto das gestantes.
“O objetivo desse evento é treinar e capacitar os profissionais para que realizem um pré-natal de qualidade. Precisamos garantir a detecção precoce da sífilis, tratar adequadamente as gestantes e também seus parceiros, para que possamos interromper a cadeia de transmissão da doença”, explicou Florinaldo.
Ele destacou que, embora o tratamento da sífilis seja simples, gratuito e disponível em todas as unidades básicas de saúde, ainda há desafios a serem superados.
“A sífilis é uma doença totalmente tratável. O que precisamos melhorar é a qualidade do pré-natal, a captação precoce das gestantes e o acompanhamento integral do casal. Só assim conseguiremos reduzir as taxas e, futuramente, eliminar a sífilis congênita”, completou.
O enfermeiro obstetra Ronaldo Sarges, representante do Hospital da Mulher Mãe Luzia, também participou do seminário e reforçou os riscos da doença tanto para a gestante quanto para o bebê.
“A sífilis é uma infecção milenar, mas ainda muito grave. Quando não tratada durante a gravidez, ela é transmitida pela placenta e pode causar abortos, partos prematuros, sequelas neurológicas e até a morte do bebê. É a principal causa de óbito fetal por volta das 20 semanas de gestação”, destacou.
Ronaldo também apresentou dados alarmantes do Hospital Mãe Luzia:
“Somente no primeiro semestre de 2025, tivemos 128 gestantes internadas com diagnóstico de sífilis e 121 casos de sífilis congênita. São números que mostram a necessidade de reforçar o diagnóstico no pré-natal. Se a mulher inicia o tratamento corretamente, em apenas 15 dias é possível evitar complicações e impedir a transmissão para o bebê”, afirmou.
Ele ressaltou ainda que o combate à sífilis exige integração entre Estado, municípios e sociedade.
“Esse é um trabalho que não depende apenas do hospital. As ações precisam começar na atenção básica, nas unidades de saúde, onde ocorre o primeiro contato e o diagnóstico. Mas é fundamental também a participação da comunidade, procurando atendimento ao perceber qualquer sinal suspeito”, reforçou o enfermeiro.
Para os profissionais de saúde, o seminário é um passo importante na busca pela eliminação da sífilis congênita no Amapá, uma meta nacional que depende do engajamento coletivo e da melhoria contínua do pré-natal.
