Uma operação de alta complexidade realizada pelo Grupo Tático Aéreo (GTA) revelou a gravidade da exploração de menores pelo crime organizado em Santana. Na última segunda-feira (12), agentes localizaram um "quartel-general" de uma facção criminosa na Travessa 26, bairro Provedor, onde o tráfico de drogas e a violência extrema do "Tribunal do Crime" eram praticados simultaneamente.
A intervenção ocorreu após moradores da área de passarelas denunciarem gritos de socorro constantes. A vítima, identificada como Alan Rodrigues de Carvalho, vulgo “Lorinho”, teria sido submetida a sessões de tortura por três dias consecutivos sob ordens da cúpula de uma facção. Embora tenha sido liberado pouco antes da chegada dos policiais, o rastro de violência no imóvel confirmou as atrocidades.
A farsa da maioridade Durante a incursão, duas adolescentes foram flagradas em plena atividade logística, com uma delas portando dezenas de porções de cocaína e dinheiro trocado. O que mais surpreendeu a equipe foi a tentativa das jovens de esconderem a menoridade para evitar as medidas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
O capitão Bryan Fonseca, subcoordenador do GTA, detalhou a conduta das infratoras:
“No momento da apreensão, elas falaram serem maiores de idade. Uma disse que tinha 19 anos e a outra 21. Somente na delegacia, após a verificação, constatou-se que ambas tinham apenas 14 anos.”
Logística e Punição Segundo as investigações, a residência funcionava como um ponto estratégico multifuncional. Enquanto porções de crack e maconha eram preparadas para a venda, o local servia de base para reuniões de planejamento de ataques e como cativeiro para impor as regras da facção através da tortura, garantindo o controle da região pelo medo.
Além das duas menores, dois homens de 21 e 23 anos foram presos em flagrante. O grupo e todo o material apreendido foram encaminhados ao CIOSP de Santana para as providências cabíveis.


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