Em alusão ao Abril Indígena, a Secretaria de Estado da Saúde do Amapá (Sesa) promoveu na segunda-feira (22), às 10h, no auditório da instituição, uma programação especial de valorização e troca de saberes indígenas. O evento contou com pintura corporal tradicional, feira de artesanato, exposição e lançamento de livros com temáticas indígenas, além de um café da manhã regionalizado.
Segundo Alessandra Maciel, coordenadora estadual de Saúde Indígena (Coesi), o momento foi pensado como uma forma de integração entre a equipe da saúde indígena e as demais coordenadorias da Sesa, promovendo um espaço de diálogo e visibilidade para as culturas dos povos originários.
“Estamos aqui nesse momento em alusão ao Abril Indígena, promovendo justamente essa integração da equipe da saúde indígena com as outras coordenadorias da Secretaria de Saúde. É importante falar sobre a cultura dos povos indígenas, sua resistência, educação, saúde e mostrar como é feito esse trabalho a nível de atenção à saúde indígena”, destacou Alessandra.
A ação apresentou elementos da diversidade cultural indígena do Amapá e norte do Pará, com a participação de artesãos das regiões de Pedra Branca, Parque do Tumucumaque e Oiapoque, além da oferta de bebidas tradicionais. Também houve espaço para esclarecimentos sobre o funcionamento da atenção à saúde indígena, com a presença de profissionais da Coesi.
“A saúde indígena está só evoluindo. Hoje somos uma coordenação fortalecida com profissionais enfermeiros, técnicos e intérpretes nas unidades hospitalares. O Abril Indígena vem para dar visibilidade, fortalecer a ancestralidade e garantir o nosso direito à consulta prévia, livre e informada. Essa programação representa a valorização do povo indígena e a troca de saberes, que é fundamental”, afirmou a coordenadora.
O presidente da Associação Indígena Wajãpi, cacique Aikyry Wajãpi, também participou do evento e reforçou que o Abril Indígena simboliza resistência, continuidade e reconhecimento da identidade dos povos originários.
“Essa programação, que envolve o Abril da Resistência, é muito importante para promover a valorização do povo indígena e essa troca de saberes. Todo ano ela acontece, mas queremos lembrar que todo dia é dia dos povos indígenas. Nós indígenas estamos em todo o Brasil e aqui no Amapá e norte do Pará seguimos lutando pelo nosso direito, defendendo nosso conhecimento, falando nossa língua materna. E muitos de nós falam português, inglês, francês e línguas como Guaiana, Apalai, Tiriyó e Xuliana. Isso é importante e mostra nossa resistência. Nossa luta não vai terminar aqui, ela vai continuar para as próximas gerações. Nossa semente está crescendo e vai dar frutos.”
O cacique também destacou a importância do fortalecimento da saúde indígena, reconhecendo os avanços conquistados com o trabalho da Coesi:
“Quero agradecer os governos, o passado e o presente, pelo fortalecimento da nossa saúde. Porque sem saúde, não tem cultura, não tem proteção à terra indígena, não tem direito nem conhecimento. A saúde está ligada a tudo: aos seres humanos, aos pajés, às lideranças. O trabalho da Coesi aqui no Amapá é essencial.”
A iniciativa da Sesa reafirma o compromisso com a valorização da diversidade cultural e com o respeito aos direitos dos povos indígenas, promovendo o cuidado integral com saúde, identidade e território.


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