A Polícia Civil do Amapá (PC-AP) apresentou nesta segunda-feira, 30, um balanço parcial das ações realizadas para recuperar aparelhos celulares roubados, furtados ou perdidos no estado. Só no mês de junho, cerca de 100 aparelhos foram localizados e devolvidos aos seus donos, resultado de investigações realizadas em parceria com as delegacias de bairro, especializadas e apoio do Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp).
Durante a apresentação, o delegado Ronaldo Coelho, diretor do Departamento de Polícia da Capital, explicou que a prática de receptação ainda alimenta diretamente o crime organizado e prejudica toda a sociedade.
“Nós estamos apresentando para a população amapaense o fruto desse trabalho nosso, que é feito todos os meses, e queremos a colaboração das pessoas para ajudar a segurança pública. Como? Não comprando aparelho furtado ou roubado, porque isso tem causado um transtorno muito grande”, explicou.
O delegado citou dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública que apontam cerca de um milhão de furtos e roubos de celulares por ano no Brasil, classificando o problema como uma “epidemia”. Ele reforçou que, além dos aparelhos recuperados, muitos não chegam a ser localizados porque são desmontados e transformados em peças de reposição em oficinas clandestinas.
“As pessoas poderiam ajudar não comprando, porque quando tu adquire um aparelho celular roubado ou furtado, tu está contribuindo para o crime. É esse o sentimento e a necessidade que nós temos de fazer essa divulgação”, reforçou.

Coelho também chamou atenção para casos em que consumidores afirmam ter comprado celulares por preços muito abaixo do valor de mercado, sem questionar a procedência.
“O aparelho custa na loja 3 mil reais, aí o cara paga 50 reais. Quando ele vem contar essa história para o delegado, a gente pergunta: não dava para perceber que o valor era desproporcional?”, questionou.
Ação coletiva e orientações
Segundo Gedielson Oliveira, agente da Polícia Civil que atua na coordenação do Ciosp do bairro Pacoval, além da recuperação, a ação incluiu a devolução coletiva de aparelhos localizados após roubos, furtos e até esquecimento em carros de aplicativo. Ele destacou a importância de medidas simples que ajudam nas investigações, como registrar boletim de ocorrência (BO), cancelar o chip junto à operadora e cadastrar o IMEI no site “Celular Legal”, do Governo Federal.
“O BO é imprescindível porque é com ele que a Polícia Judiciária inicia as diligências. Também orientamos a não reagir durante o roubo, pois a integridade da pessoa é mais importante que o aparelho”, explicou Gedielson.

O agente alertou ainda que quem compra aparelhos de origem duvidosa está cometendo crime de receptação e pode ser conduzido para prestar depoimento e responder judicialmente.
Ele ressaltou o crescimento de crimes associados ao furto de celulares, como golpes financeiros e estelionato, e reforçou que a população deve adotar cuidados preventivos, como não manusear o aparelho em locais públicos e evitar distrações.
“Sobretudo idosos, mulheres e jovens são os principais alvos, então o ideal é manter o celular guardado e seguro”, orientou.
Devolução e sentimento de gratidão
Entre os aparelhos devolvidos, estava o da funcionária pública Maria das Graças, que relatou surpresa e gratidão pelo trabalho da Polícia Civil.
“Tive a boa notícia de que a polícia tinha reencontrado meu celular. Já nem tinha mais esperança. Foi uma surpresa pela eficiência do tempo. Fiquei muito grata pelo serviço prestado à comunidade”, declarou.

Ao longo do ano, a expectativa da PC-AP é recuperar mais de mil aparelhos celulares no estado, além de conscientizar a população de que cada compra segura e responsável contribui para reduzir os índices de criminalidade.


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