Na manhã desta segunda-feira, 5, o secretário de Justiça e Segurança Pública do Amapá, José Neto, concedeu entrevista coletiva no auditório da Sejusp para esclarecer os desdobramentos da operação policial que resultou na morte de sete pessoas na madrugada de domingo, 4, na Zona Norte de Macapá. A ação, conduzida por equipes da Polícia Militar, está sendo alvo de uma rigorosa apuração por parte das autoridades estaduais.
A coletiva foi marcada por explicações detalhadas sobre o ocorrido. Segundo o secretário, a operação teve início após uma denúncia de tráfico de drogas e porte ilegal de armas. A informação foi repassada à inteligência da PM, que identificou indivíduos ligados a uma organização criminosa atuante na região. Durante a abordagem, de acordo com o boletim de ocorrência, os ocupantes do veículo teriam disparado contra os policiais e avançado com o carro contra uma motocicleta da equipe, provocando a reação armada dos agentes.
"Temos informações concretas de que entre os mortos havia uma liderança do tráfico e outros com histórico criminal por porte de arma e tráfico.", afirmou José Neto.
Por determinação do governador Clécio Luís, todos os policiais envolvidos foram afastados das funções operacionais até o encerramento das investigações, que já foram iniciadas pela Polícia Civil. O inquérito está sob responsabilidade do delegado Newton Gomes Júnior, apontado por José Neto como um profissional experiente e técnico. A Polícia Científica também está atuando com a realização das perícias necessárias.

Questionado sobre o acompanhamento das famílias das vítimas, o secretário explicou que essa atribuição está sob responsabilidade de outras pastas, como a Secretaria de Direitos Humanos.
José Neto também se manifestou sobre a prisão de uma advogada no local da operação. Segundo ele, a profissional tentou ultrapassar o perímetro de isolamento e, ao desobedecer às ordens da polícia, foi conduzida ao Ciosp do bairro Pacoval. O secretário informou que ainda nesta segunda-feira se reunirá com o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/AP) para ouvir a versão da instituição e buscar esclarecimentos.
Durante a coletiva, o secretário abordou ainda a repercussão nas redes sociais e a disseminação de informações não confirmadas, como a possível tentativa de influenciar a opinião pública por meio de narrativas criadas por detentos.
"Solicitamos às nossas equipes de inteligência que investiguem essas denúncias, mas, até o momento, não há confirmação de que isso partiu de dentro do sistema penitenciário", disse.
Ao final, José Neto reforçou que todas as circunstâncias serão devidamente apuradas.
“É uma investigação complexa, que exige cautela e transparência. As armas foram apreendidas, os laudos periciais solicitados e todas as testemunhas e policiais serão ouvidos. Nosso compromisso é com a verdade e com o respeito às instituições e à população”, Concluiu


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