A Polícia Civil do Amapá apresentou, nesta quarta-feira (11), detalhes da Operação Boleto Fantasma, que resultou na prisão preventiva de um homem suspeito de criar e administrar sites falsos utilizados para aplicar golpes em consumidores que buscavam pagar contas de energia elétrica.
A ação foi coordenada pela Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos (DR-CCIBER) e contou com apoio da Polícia Civil de Goiás. Durante a operação, os agentes cumpriram três mandados de busca e apreensão, dois em Goiânia e um em Senador Canedo, além da prisão do investigado apontado como responsável pela estrutura digital utilizada no golpe.
De acordo com a chefe do gabinete da Delegacia-Geral da Polícia Civil do Amapá, a delegada Áurea Uchôa, a operação representa um passo importante no combate a crimes virtuais e pode ter novos desdobramentos.
“A princípio foi efetuada a prisão de um investigado, mas a operação tende a se desdobrar em outras fases. Outras pessoas que eventualmente tenham participado do esquema podem ser indiciadas ou presas posteriormente”, afirmou.
Segundo a delegada, a investigação revelou que o suspeito criava páginas falsas que simulavam o ambiente oficial da concessionária de energia que atende o estado, induzindo consumidores a emitir boletos fraudulentos.
A polícia identificou que o criminoso mantinha uma sequência de criação e desativação dessas páginas para continuar aplicando o golpe.
“Durante o período de investigação foram derrubados os sites que essa pessoa estava criando. Ele aplicava os golpes, criava novos sites, derrubava e seguia essa sequência, chegando a pelo menos cinco páginas diferentes”, explicou.
Ainda conforme Áurea Uchôa, o prejuízo causado às vítimas ultrapassa a marca de R$ 1 milhão, o que reforça a gravidade do esquema criminoso. Ela destacou também a atuação da Polícia Civil em operações fora do estado para combater crimes de maior complexidade.
“Nos últimos 20 dias a Polícia Civil do Amapá deflagrou duas operações em âmbito nacional. Uma ocorreu em São Paulo e agora novamente em Goiás, demonstrando a capacidade técnica da instituição no enfrentamento a crimes cibernéticos e organizações criminosas”, ressaltou.
Investigação começou após aumento de denúncias
O titular da Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos, o delegado Breno Esteves, explicou que as investigações começaram há cerca de um ano, após um grande número de registros de ocorrência relacionados ao golpe do boleto falso.
“Aproximadamente um ano atrás começaram a chegar diversos registros na delegacia sobre esse golpe envolvendo boletos falsos ligados à companhia de energia. Hoje já temos mais de 200 boletins de ocorrência”, disse.
A partir dessas denúncias, os investigadores iniciaram o rastreamento da estrutura digital utilizada no crime até identificar o responsável pela criação e administração das páginas fraudulentas.
De acordo com o delegado, o suspeito era o responsável direto pela criação dos sites e pela gestão da plataforma utilizada para aplicar os golpes.
“Ele é o criador e administrador das páginas. Mas existem outras pessoas envolvidas, como quem recebia os valores e pessoas que também trabalhavam na manutenção desses sites”, explicou Breno Esteves.
As investigações também indicam que o suspeito não atuava apenas no Amapá. Como a concessionária de energia atua em vários estados, golpes semelhantes também estavam sendo aplicados em outras regiões do país.
Além disso, segundo o delegado, o investigado estava desenvolvendo outras plataformas digitais voltadas para diferentes tipos de fraude.
“Era um indivíduo extremamente perigoso no contexto de crimes virtuais. Ele não criava apenas sites ligados à companhia de energia, mas também desenvolvia outras plataformas para aplicar diferentes golpes”, destacou.
Valores bloqueados podem ajudar no ressarcimento
Durante a operação, a Polícia Civil conseguiu bloquear contas bancárias do investigado e apreender bens e objetos de valor que podem contribuir para o ressarcimento das vítimas.
“Hoje já temos uma estimativa de mais de um milhão de reais em prejuízo considerando os boletins de ocorrência registrados. Nós bloqueamos valores nas contas dele, fizemos apreensão de bens e até de um caminhão justamente pensando na reparação dos danos causados às vítimas”, explicou o delegado.
Segundo Breno Esteves, à medida que a investigação e o processo judicial avançarem, existe a possibilidade de que as vítimas consigam recuperar parte do dinheiro perdido.
Orientação para evitar golpes
A Polícia Civil também reforça o alerta para que a população redobre a atenção ao realizar pagamentos pela internet.
Uma das principais orientações é verificar sempre quem aparece como beneficiário antes de confirmar qualquer pagamento.
“Se você está pagando uma conta de energia, por exemplo, o beneficiário não pode ser uma pessoa física. É preciso verificar também o CNPJ da empresa para confirmar se o pagamento realmente está sendo feito para a concessionária”, alertou o delegado.
Ele destaca que muitos golpistas criam páginas muito semelhantes às oficiais, o que pode confundir o consumidor. Por isso, a recomendação é conferir cuidadosamente os dados antes de concluir qualquer transação.


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