A COP Quilombola da Amazônia segue nesta terça-feira (23), em Macapá, com debates e articulações que preparam as comunidades para a participação na COP 30, que será realizada em Belém, em 2026. O encontro acontece no Centro de Cultura Negra do Amapá, no bairro Laguinho, reunindo lideranças quilombolas de diversos estados e até de outros países da Amazônia.
A programação, que iniciou na segunda-feira (22) e segue até o dia 26, traz mesas de diálogo, painéis e debates sobre justiça climática, sustentabilidade, combate ao racismo e valorização dos povos tradicionais. O evento é organizado pela Coordenação Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), com apoio do Governo do Estado do Amapá, por meio da Fundação Marabaixo.
Voz da juventude quilombola
Para Andrey Santos, coordenador executivo da juventude quilombola nacional, a pré-COP é um momento estratégico para garantir espaço político às comunidades.
“Esse espaço que nós criamos foi fruto de uma articulação pesada com o governo e outros estados. É um momento de diálogo para construir políticas públicas e, ao final, apresentar uma carta que expresse nossas demandas na COP 30. Essa carta deve defender principalmente a titulação dos territórios, porque sem território não existe justiça climática. Temos dados que comprovam que os quilombolas mantêm a floresta em pé e são essenciais para a preservação ambiental. Queremos que isso seja reconhecido internacionalmente”, destacou.
Liderança feminina no Amapá
A coordenadora estadual da CONAQ/AP, Núbia Souza, reforçou que o evento tem caráter histórico para o estado e para toda a Amazônia Legal.
“Esse é um grande momento para o Amapá e para a Amazônia internacional. Temos representantes de seis países participando da construção de um documento robusto que será levado para a COP 30. Não dá para falar da Amazônia sem ouvir quem vive aqui, sem a presença de quilombolas, indígenas e outros povos tradicionais. Essa é a nossa vez de mostrar como sustentamos a floresta até hoje e como queremos uma Amazônia em pé, mas também com produção agrícola e qualidade de vida para nosso povo”, afirmou.
Ela ressaltou ainda que os investimentos já realizados pelo Governo do Amapá fortalecem as comunidades tradicionais e dão suporte às reivindicações que serão levadas à conferência mundial.

Programação desta terça-feira (23)
- 9h30 – Aprovação da redação coletiva da Carta do Amapá
- 10h30 – “A COP 30 e seus impactos nos territórios quilombolas” – Fundação Marabaixo
- 11h00 – “Apresentação da COP 30: o que é, sua importância e temas centrais” – CONAQ Nacional
- 14h00 – 1º diálogo aberto sobre a presença da CONAQ nas últimas COPs
- 16h40 – Painel “Florestas, biodiversidade e direitos dos quilombolas” – CONAQ
- 17h10 – Apresentação do Plano de Educação Quilombola e Justiça Climática – Rumo à COP 30 – Isabel Cabral (Coletivo de Educação Quilombola)
- 17h30 – Apresentação de investimentos do Governo do Estado nos quilombos do Amapá – Fundação Marabaixo
- 18h00 – Painel “O Amapá na Amazônia Negra rumo à COP 30” – Gutemberg Vilhena (GEA)
- 18h30 – 2º diálogo aberto sobre a participação da CONAQ nas COPs


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