Ao término da sessão que aceitou a denúncia contra o prefeito Antônio Furlan (MDB), o presidente da Câmara Municipal de Macapá, Pedro da Lua (União Brasil), concedeu entrevista coletiva em que rechaçou a versão apresentada pela defesa e defendeu a reação rápida do Legislativo ao episódio.
“O clamor nacional da imprensa, da comunicação, foi um ato realmente sem explicação, um ato desproporcional do prefeito Furlan. O que ainda me admira é insistirem naquilo que chamo de narrativa. Nós, comunicadores, não podemos normatizar e nem achar que é corriqueiro esse negócio de narrativa. Temos que trabalhar com a verdade, e a verdade é ocular. Todos viram o vídeo”, declarou.
Durante a entrevista, Pedro da Lua criticou a justificativa do prefeito de que teria reagido para proteger servidoras. Segundo ele, a tentativa de usar mulheres como escudo não corresponde aos fatos e agrava ainda mais a conduta.
O presidente também citou a prisão de jornalistas após a confusão, destacando o caso de Heverson Castro, que, segundo relatou, pediu socorro por problemas de saúde dentro do camburão:
“Ele clamou, implorou, disse que sofria do coração. Mesmo assim foi colocado no camburão e ficou mais de sete horas preso. Isso nós não podemos admitir.”
Para Pedro da Lua, a instalação da comissão processante é um ato democrático, previsto em lei, e não uma decisão automática de cassação:
“Isso não quer dizer que o prefeito vai ser cassado. Quer dizer que ele vai poder se defender, a comissão vai poder ouvir testemunhas, agentes da Guarda Municipal, as servidoras citadas e o próprio prefeito. No final, voltará ao plenário para decidir se arquiva ou se aplica a pena máxima.”
O parlamentar concluiu a entrevista dizendo que a Câmara cumpriu seu dever de dar uma resposta imediata à sociedade:
“Aqui nós não cerceamos o direito da imprensa. Esse não é um debate só político, mas também jurídico e de responsabilidade. O ambiente de instabilidade foi criado pelo próprio prefeito, não pela Câmara.”


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