Israel Gonçalves da Graça é o primeiro presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional Amapá, formado em solo amapaense. Estudou em escola pública e, pela Universidade Federal do Amapá (Unifap), formou-se em Matemática e obteve mestrado em Direito. Casado com a contadora e bacharel em Direito Danielle dos Reis Gonçalves, com quem tem dois filhos, Maria Eduarda e João Victor, considera a família essencial em sua vida.
Nascido no município de Santana, Israel veio de uma família muito humilde, que morava em uma área de ponte. Sua mãe era empregada doméstica, e o pai, pedreiro. Aos 12 anos, estudava em um turno e, no outro, para não ficar sozinho em casa, acompanhava o pai na construção civil. Meses depois, passou a ser remunerado, e metade do que ganhava era destinada às despesas da casa. Hoje, ele é responsável por cerca de 6.300 advogados no estado.
Jorge César: Como ocorreu a grande mudança em sua vida?
Israel da Graça: "Eu cursava Matemática, era aquele menino estudioso e entusiasmado. Fui trabalhar em um banco, e alguém viu o meu talento. A instituição me levou para São Paulo, onde fui lapidado e tive formação para me tornar um executivo".
Jorge César: Como foi seu começo na advocacia?
Israel da Graça: "No ano de 2010, formado e com a carteira da OAB, senti vontade de largar a carreira que exercia e começar a advogar. Meu desejo era cuidar da minha esposa e dos meus filhos. E assim, muito arduamente, ganhando causa por causa, suando muito, consegui estabilidade e realizei muitos sonhos da minha família".
Jorge César: O que o levou a disputar a presidência da OAB?
Israel da Graça: "Constatamos que, na nossa casa, existiam pessoas que não representavam as pautas da advocacia, que estavam dificultando o nosso trabalho. Foi então que nos insurgimos, nos unimos, e a vitória foi alcançada. Essa vitória não é de Israel ou da diretoria, mas coletiva de mais de 1,3 mil pessoas que se dedicaram para mudar esse cenário."
Jorge César: O que pretende na presidência da OAB?
Israel da Graça: "Quero tornar a advocacia amapaense uma referência nacional nas matérias ambientais. Quem tem que falar da Amazônia somos nós, os amazônidas. Queremos que o Amapá seja o polo do Direito Ambiental, Minerário, Portuário, do Petróleo e Gás."
Jorge César: Tens planos para os municípios?
Israel da Graça: Estamos abrindo subseções em Oiapoque, Tartarugalzinho e Laranjal do Jari. Em um horizonte próximo, vamos lutar também para abrir uma subseção em Porto Grande.
Jorge César: Como pretende resolver os problemas da categoria?
Israel da Graça: "Através do diálogo. Conseguimos, por exemplo, junto ao Tribunal de Justiça, um púlpito móvel para os colegas cadeirantes. É algo inédito, que se expandiu para todo o país. Recentemente, no Colégio de Presidentes, propus a criação de uma carteira para o auxiliar do advogado PCD (Pessoa com Deficiência). Já fiz duas propostas de âmbito nacional que estão mudando os olhares sobre inclusão. Em razão disso, fui convidado para palestrar no maior evento jurídico da América Latina, que ocorrerá em Fortaleza (CE), em maio. Estou tendo a honra de ser a voz da advocacia e da sociedade amapaense."
A trajetória de Israel da Graça é prova de que a determinação e o compromisso com a coletividade podem transformar realidades. De uma infância humilde em Santana aos palcos dos maiores eventos jurídicos da América Latina, ele representa uma nova era para a advocacia amapaense, mais inclusiva, corajosa e protagonista. Sob sua liderança, a OAB do Amapá não apenas sonha alto, mas constrói caminhos firmes para que a voz da Amazônia ecoe com força no cenário nacional do Direito.
