O setor audiovisual brasileiro ganhará, no segundo semestre de 2025, uma ferramenta inédita: o Global Condor, software desenvolvido no Amapá pelo criador e produtor Rodrigo Pedroza, em parceria com as produtoras locais Cia Viva e Kachupada Produtora. Aprovado pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), o programa chega para romper barreiras no desenvolvimento de roteiros, projetos culturais e narrativas, com ênfase em inclusão, acessibilidade e inovação tecnológica.
Pedroza destaca que o objetivo inicial era criar um software que fosse, ao mesmo tempo, acessível e robusto, mas o resultado superou expectativas.
“Queríamos oferecer uma ferramenta completa para todos os públicos, com ou sem deficiência, e conseguimos entregar algo além disso”, afirma.
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Funcionalidades que mudam o jogo
O Global Condor reúne em um só ambiente recursos que normalmente exigiriam múltiplos programas pagos e de difícil acesso. Entre os diferenciais estão:
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Roteirização com acessibilidade, incluindo comando de voz, audiodescrição automática e leitura técnica em áudio, patenteada como “Áudio e Roteiro”.
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Estruturação de projetos culturais com campos específicos para cronograma, orçamento, justificativas e metas.
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Criação e análise de personagens com base em perfil psicológico, garantindo coerência narrativa.
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Gráficos de emoção gerados por inteligência artificial, apontando pontos de virada e ritmo da trama.
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Storyboard automático, que transforma o roteiro em imagens ou vídeos prévios.
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Visor do Diretor, que simula iluminação, figurinos, lentes, locações e até trilhas sonoras antes da filmagem.
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Biblioteca de formação integrada, com cursos, tutoriais e espaço para pesquisas em áudio, texto e vídeo.
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Exportação em múltiplos formatos, atendendo desde editais até apresentações comerciais.
“O Visor do Diretor é quase uma revolução à parte. Ele permite que a cena seja visualizada antes mesmo de chegar ao set, com um nível de precisão técnica que nenhum outro software oferece”, explica o criador.
Inclusão e formação gratuita
Uma das grandes bandeiras do projeto é a acessibilidade plena. O software já chega acompanhado de tutoriais em vídeo, texto e áudio, além de oficinas virtuais abertas a qualquer usuário. O objetivo é capacitar iniciantes e pessoas com deficiência a dominar a plataforma de forma rápida e independente.
Segundo Pedroza, essa foi a prioridade desde o início.
“A maior dificuldade para quem tem deficiência é conseguir estruturar um projeto sem depender de terceiros. O Global Condor resolve isso com digitação e edição por voz, além de automatizar planilhas e análises. É uma porta de entrada real para quem sempre esteve à margem do mercado.”
Preço justo e protagonismo amazônico
Enquanto softwares internacionais de roteirização podem ultrapassar mil dólares por ano, o Global Condor será comercializado em valores baseados na moeda brasileira e com muito mais funcionalidades. Isso o torna não apenas competitivo, mas também uma opção acessível para o público nacional.
Além disso, o fato de o projeto nascer no Amapá é simbólico: mostra que a inovação tecnológica e cultural não está restrita aos grandes centros.
“Produzimos no Norte, e isso é uma mensagem clara de que a Amazônia também pode ditar tendências”, reforça Pedroza.
O próximo passo: Tele Condor
Paralelamente, o criador já desenvolve a Tele Condor, uma rede social voltada ao compartilhamento e distribuição de conteúdos audiovisuais, com foco em interatividade, colaboração criativa e acessibilidade.
“Acredito que vai impactar ainda mais do que o software. É uma nova forma de enxergar a comunicação entre criadores”, antecipa.
Um divisor de águas
Mais do que uma ferramenta técnica, o Global Condor se apresenta como um manifesto em defesa da inclusão, da democratização do conhecimento e da descentralização cultural. O lançamento oficial está previsto para o segundo semestre de 2025, e promete marcar a história do audiovisual brasileiro.


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