A valorização da cultura indígena está sendo levada para dentro das escolas públicas de Macapá. Teve início no dia 4 e seguirá nos dias 7 e 11 de novembro, com os coletivos Semente Wanaku e Kayeb realizando a segunda etapa de uma série de oficinas e exposições itinerantes, que unem tradição, arte e geração de renda.
A iniciativa, que percorre diferentes instituições de ensino, tem como meta preservar os saberes ancestrais e fortalecer a autonomia econômica de comunidades indígenas, especialmente de mulheres em situação de vulnerabilidade social.
As ações fazem parte dos projetos “Oficinas de Artesanato Indígena Sementes de Wanaku – Empoderamento e Valorização Cultural”, “Exposição Sementes de Wanaku – Arte, Cultura e Resistência Indígena” e “Mostra Cultural Kayeb – Arte e Ancestralidade Palikur-Arukwayene”, conduzidos por artistas e artesãs das etnias Palikur-Arukwayene e Galibi-Marworno, do município de Oiapoque (AP).
Entre os nomes à frente das atividades estão Geraldina Iaparrá Labonté, Dilziane Labonté (Dilza Palikur), Dilzete Labonté Orlando e Zuleika Marworno, do coletivo Semente Wanaku, e Josieldo Labontê Orlando, Francileia Narciso Iaparrá e Jordan Palikur, do coletivo Kayeb.
Durante as oficinas, os participantes aprendem técnicas tradicionais de confecção de cuias, colares, pulseiras, brincos e esculturas, tudo feito com materiais naturais e inspirado na simbologia e nas narrativas indígenas.
“O projeto nasceu da necessidade de resistir ao apagamento cultural e, ao mesmo tempo, criar oportunidades de renda para mulheres indígenas”, explica Dilza Palikur, idealizadora do Semente Wanaku.
Já o artista Josieldo Labontê destaca que a Mostra Cultural Kayeb apresenta esculturas, miniaturas e adornos que representam a riqueza estética e espiritual dos povos Palikur-Arukwayene.


Mostra de cestarias e saberes ancestrais
A programação inclui ainda a exposição “Os Ruídos de Arquivo dos Saberes Indígenas na Poética das Tramas das Cestarias de Arumã”, da pesquisadora, poeta e escritora indígena Cláudia A. Flor D’Maria.
A mostra destaca a cestaria de arumã como um símbolo de memória e resistência, evidenciando a técnica artesanal mantida por mulheres do povo Itaquêra.
“Minha pesquisa traz a etnia Itaquêra como protagonista, mostrando como a arte dos trançados reflete a cosmologia e o modo de vida dessas comunidades”, afirma Cláudia.
As ações são financiadas pelo Governo Federal, por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, com execução da Secretaria de Estado da Cultura do Amapá (Secult-AP).
Cronograma das atividades
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4 de novembro | 9h
Escola Estadual Prof. Maria Carmelita do Carmo — Rua Barão de Mauá, nº 345, bairro Buritizal -
7 de novembro | 18h30
Escola Estadual Predicanda Lopes — Rua Rio Grande do Sul, 131, bairro Santa Rita -
11 de novembro | 18h30
Escola Estadual Mário Quirino da Silva — Rua Claudomiro de Moraes, 1268, bairro Novo Buritizal


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