A prisão de José Edno Alves de Oliveira, conhecido como “Marujo”, ocorrida no último sábado (16) em Samambaia (DF), foi considerada um passo decisivo pela Polícia Civil do Amapá no esclarecimento da chacina que deixou oito mortos em um garimpo no município de Almeirim (PA), próximo à fronteira com Laranjal do Jari (AP).
Em coletiva concedida à imprensa, o delegado-geral da Polícia Civil do Amapá, Cézar Vieira, detalhou a operação que levou à captura do suspeito e reforçou a importância da prisão para a elucidação do caso.
Prisão preventiva e recambiamento
Segundo Vieira, a prisão preventiva de Marujo foi decretada pela Justiça com base em “fartos elementos de prova” reunidos ao longo da investigação.
“Essa etapa é fundamental. Estamos diante de um dos principais nomes apontados como mandante do crime. Agora, com a prisão, poderemos acessar provas importantes, como o conteúdo de seu aparelho celular, e realizar o interrogatório que dará novos rumos às apurações”, afirmou.
O delegado informou que a Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) já solicitou ao Judiciário de Goiás o recambiamento do suspeito para o Amapá, onde será ouvido oficialmente. Além disso, o veículo apreendido em posse do investigado também será trazido para integrar o processo.
Linhas de investigação
Durante a coletiva, Cézar Vieira foi questionado sobre a motivação da chacina. Ele explicou que a Polícia Civil ainda trabalha com duas hipóteses principais: a confusão das vítimas com assaltantes que atuavam na região do garimpo ou uma possível disputa por terras em área de extração mineral.
“Não podemos descartar nenhuma linha. A versão de que as vítimas foram confundidas com assaltantes é uma possibilidade, mas também pode ser apenas uma história de cobertura. A hipótese de conflito por terras ou interesses ligados ao garimpo também é considerada. É com o avanço da investigação, sobretudo após a prisão de Marujo, que chegaremos à verdade dos fatos”, declarou.
Cooperação nacional
O delegado destacou ainda que a localização do suspeito só foi possível graças à cooperação interestadual e ao uso de recursos de inteligência avançada.
A operação envolveu a Polícia Civil de Goiás, incluindo o Grupo Antissequestro, o Grupo Especial de Investigação Criminal de Luziânia, a Delegacia Estadual de Homicídios e a Central de Flagrantes, além do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), vinculado ao Ministério da Justiça, e da Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (Diopi).
“Essa captura só foi possível pela integração das forças de segurança. O trabalho conjunto entre Polícia Civil do Amapá, Polícia Civil de Goiás e o Ministério da Justiça mostra que a polícia judiciária está preparada para dar respostas rápidas a crimes de grande repercussão”, ressaltou.
Histórico criminal
Vieira também confirmou que Marujo possui antecedentes relacionados ao garimpo ilegal.
“Ele já responde a investigações da Polícia Federal por envolvimento em atividades de mineração clandestina e tem ação penal em andamento na Justiça Federal. Ou seja, não é um personagem novo nesse cenário criminoso, e isso reforça a importância de sua prisão para desarticularmos o grupo”, observou.
Próximos passos
Ao ser questionado se a prisão de Marujo encerraria a investigação, o delegado foi enfático:
“Não podemos dizer que o caso está elucidado. O que temos é um avanço significativo. Novas prisões podem ocorrer, a depender do que será encontrado no celular do acusado e do que ele declarar em interrogatório. A investigação segue em andamento e outros envolvidos podem ser responsabilizados”, disse.
Vieira encerrou a coletiva destacando que a Polícia Civil do Amapá está comprometida em dar uma resposta à sociedade e aos familiares das vítimas:
“É um crime que chocou o país pela crueldade e pelo número de mortos. Nossa missão é chegar a todos os responsáveis, com competência e eficiência, para que prevaleça a justiça e para que esse tipo de conduta não fique impune”, concluiu.


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